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Surreal até para a CBF

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 18 comentários

Depois do vexame, a CBF parece querer mostrar que há muitas coisas piores do que a humilhação dentro de campo. O festival de patacoadas tem se multiplicado.

Surreal até para a CBF

É impressionante como a CBF consegue, em todas as suas escolhas, privilegiar, valorizar tudo, menos o mérito. A qualidade intelectual. O conteúdo. Depois do fiasco de 2006, a resposta foi o populismo. “Resgatar o amor pela amarelinha”… Veio Dunga.

Logo quando estava em sua melhor fase, Mano acabou sacado sumariamente. Por questões políticas. E a “volta triunfal” dos “dois últimos campeões do mundo pelo país” materializou-se. Só esqueceram de contar para os nossos dirigente que, em termos de ideia, de trabalho, a dupla Parreira/Felipão não apresentava nada minimamente consistente há anos. Nada que, sequer longinquamente, ensaiasse ser uma centelha de esboço de algo que sustentasse a escolha. Meritocracia, para quê?

Após o fatídico 7 a 1, alguns de nossos “representantes” parecem querer provar que existem coisas piores do que esse resultado histórico. Por exemplo, a entrevista dada por Parreira dias depois da hecatombe. Ou, no episódio que talvez tenha marcado o ápice do surrealismo, a eleição de Gilmar Rinaldi como diretor técnico das nossas seleções. Nada contra a pessoa. Mas, no currículo, nessa área, ele tem apenas uma passagem pelo Flamengo. Curta, mal sucedida, e há 15 anos. Depois, virou empresário – diga-se, “desligou-se” da função de forma tão misteriosa quanto pouco profissional; afinal, segundo o próprio, um dia antes de aparecer publicamente como novo membro da “família Marin”, de repente, largou seus clientes.

Em suma, não trabalhou no meio do esporte bretão na parte de organização de equipes, de pesquisa, de conteúdo, de análises táticas, de filosofias de jogo. Não pensava o futebol. Não o estudava profundamente enquanto modalidade. Era, na realidade, um homem de negócios. Ponto. Portanto, sem revelar bagagem, arcabouço intelectual, porte de grandes ideias, comprovação de grandes trabalhos na prática, foi conclamado a salvar-nos.

Durante sua primeira entrevista no cargo, uma resposta inacreditavelmente ruim, digna de pena. Indagado sobre o que esteve errado no vexame diante dos germânicos, disse que o problema era o “boné”. Mais uma vez, “argumento” pueril, piegas, populista. Querer jogar para a torcida, com “palavras de emoção, de impacto”. Mesmo no meio das entrevistas futebolísticas, completamente perdido em um deserto de ideias, de sinceridade e intelecto, a falta de conteúdo, de noção, ali demonstrada, saltou aos olhos.

Naquela oportunidade, se sou presidente da CBF, pararia a entrevista. Educadamente, sem expor o personagem em demasia, chamaria Gilmar para um papo no bastidores, na “coxia”. “É isso mesmo que você tem a dizer? Depois daquele banho tático/técnico tão representativo, o problema foi o boné”? Caso ele dissesse “sim”, na hora, daria um jeito de descontratá-lo. Há causa mais justa?

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