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Sobre Aguirre

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 804 comentários


O que realmente me preocupa no trabalho de Aguirre não passa exatamente pelo que vem sendo observado nos últimos dias…


Sobre Aguirre


Num futebol marcado pela irracionalidade, pelo imediatismo, e por uma pressão frequentemente tão exagerada quanto confusa, sem embasamentos claros, após a derrota para o Tricordiano no domingo, não surpreendentemente, o mundo de Aguirre balançou. Não quero aqui exatamente aliviar, longe disso. O time jogou muito mal e merece críticas – tal qual o treinador. Na partida anterior, contra o Independiente del Valle, conjunto e comandante também tiveram jornadas para lá de infelizes – o uruguaio, especialmente nas substituições, vacilou demais. Devo observar, porém, que nesses últimos dias de turbulência no Galo, os questionamentos parecem difusos; firmes na veemência e hesitantes no conteúdo. Para estes que vociferam, qual seria o problema? O rodízio? Ora… Até acho que em outros instantes o nobre professor se equivocou nessa tal de administração do elenco. Mas o revés mais marcante, aquele que originou a chiadeira maior, convenhamos, aconteceu num dia em que não dá para implicar com a opção por uma escalação cheia de reservas, em função das circunstâncias de tabela, logística e da validade do duelo.


A maior reticência que tenho com Aguirre continua a mesma desde o ano passado. Não deixou de existir quando o time deu ótimos sinais nesse início de temporada. Tampouco aumentou ou mudou de figura, perdeu espaço para outras questões nessa semana desfavorável vivida pelo alvinegro. Na realidade, para mim, o que mais gera dúvida no trabalho do gringo nada tem a ver, não se materializou na prática, de modo cristalino, típico, nesses dois últimos jogos, assim como não foi algo que esteve apropriadamente no rol das críticas disparadas contra o treinador por torcida e imprensa.


Pecar no instante de eleger a escalação correta para determinados jogos importantes; não ter amplo bom senso para saber ir dosando, mesclando os atletas com escolhas inspiradas no que se refere a quem vai ficar de fora, quem entrará, quando e por quê; por fim, excesso de deslizes no que tange à capacidade de ler o jogo e substituir bem durante os duelos: essas são as questões que me deixam com a pulga atrás da orelha quando o assunto é Diego Aguirre. Esse tipo de defeito, inclusive, me leva ao menos a flertar com a sensação de que, justamente por não ser tão pródigo na arte de escolher peças, o treinador pode “estragar” a oportunidade que está tendo com um elenco excelente para os padrões brasileiros atuais.


Dentro das insípidas, vazias análises sobre o tal do rodízio que se espalham na mídia brasileira, quase sempre banhadas de clichês, o simplório costuma pedir passagem nos seguintes aspectos: em primeiro lugar, parece que treinadores que utilizam esse tipo de artifício a ele se resumem, não têm outras características, quase como se a resposta em torno do apoio ou da discordância nesse ponto específico já fosse uma sentença tácita do que se pensa a respeito do profissional de modo mais amplo – para estes juízes, soa impensável a possibilidade de o sujeito não ser fã dessas rotações, mas adorar algum técnico que as adota pelo fato de as outras qualidades dele compensarem esse quesito; outra proposição comum e equivocada é aquela a qual esquece que, ao se analisar o rodízio, não se deve apenas limitar-se à indagação: “você é contra ou a favor”? Existem muitas nuances. Como o técnico o utiliza? Em qual grau? Exagera na dose? Normalmente recorre a essa estratégia para jogar de acordo com o adversário, por questões físicas, ou pelas duas coisas?


Aguirre tem interessantes conceitos futebolísticos, é acima da média tupiniquim em termos de atualização, informação, estudo, e é bom em métodos de treinamento. Mas peca na maneira com a qual concretiza seus famosos rodízios. E não por realizá-los, em si…

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O jornalismo definha…

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 224 comentários


A inocência de quem acha que o corajoso, intelectualizado e profundo jornalismo investigativo ganhou junto com Spotlight, é quase digna de pena…


O jornalismo definha…


Quando o ótimo Spotlight ganhou o Oscar de melhor filme, muita gente propagou: “vitória do jornalismo!”. Não. Infelizmente, não. Triunfou, merecidamente – o que está longe de ser segurança no prêmio da Academia, nem sempre tão afeito à meritocracia –, uma obra competente, sobre um trabalho incrível de um grupo de jornalistas, e uma história tão fascinante quanto revoltante e pouco surpreendente para qualquer pessoa bem informada – pedofilia na Igreja… Racionalmente, não havia qualquer gancho, qualquer perspectiva minimamente provável de que a badalação em cima deste filme resultasse numa onda de revalorização de uma de suas facetas na prática, de um jornalismo mais profundo, compromissado com o lado social, bem trabalhado… Para quem conhece como anda o meio, inclusive em termos estruturais e financeiros, então… Não deu outra. Ainda em cartaz no Brasil, com temporada estendida devido à benção da Academia, Spotlight não teve qualquer ínfima influência nas redações. Do mundo e tupiniquins. De impressos, rádios, TVs ou sites. Nada. E isso, ainda mais latente no momento político que vivemos, também vale para o jornalismo esportivo. Para você, que viu o filme, saiba: a média, o normal, o grosso da mídia desta e de outras editorias está tão distante do belíssimo esforço ali retratado que não dá nem para mensurar, expressar em palavras.


Reportagens de fôlego. Longas e extenuantes investigações. Tempo para trabalhar sem pressa. Compromisso apenas com a verdade, a profundidade e a ambição de fazer a diferença. Desapego de qualquer ânsia pela glória ínfima, efêmera e mentirosa de alguns cliques, milhares de likes, polêmica vazia e audiência instantânea. Espaço, inclusive, para que nada seja descoberto e o “tempo desperdiçado” – fundamental muitas vezes para que se atinja metas grandiosas e conquistas realmente dignas do nome. Independência e resistência para não ceder a propostas e insinuações pelo caminho. Destemor para bater de frente com uma instituição poderosa, para fugir da zona de conforto, potencialmente “comprar briga” com hordas de leitores, clientes – e, consequentemente, perder dinheiro –, religiosos cegos e insensatos – claro que muitos não são assim. Essas são algumas das principais virtudes da equipe do Boston Globe que fez história.


O padrão, o médio, contudo, é exatamente oposto a esse retrato em quase todos os sentidos e itens listados. Em muitos cenários, por exemplo, predomina a quase patética obsessão pelos mais desimportantes “furos” – acompanhada da pressa e da inépcia, natural que ela gere, para piorar, acima de qualquer margem, incontáveis “barrigadas”. A vontade de se vangloriar nas redes, ter muitos seguidores, então… Nem se fala. E o que dizer da pressão e do desejo maluco pela audiência independentemente dos meios, entrelaçada à crença – talvez não totalmente errada, e nesse ponto, como em outros, entra a parcela de culpa da população e, basicamente, da ignorância da raça humana, na história toda – de que o que “pega”, o que “bomba”, são os debates acalorados, “polêmicos”? Comum também é a fama e o aparecer na TV, ser ouvido no rádio, como objetivos puros e simples, assim como a convicção de que por saber meia dúzia de informações sobre futebol já se é um grandíssimo e exemplar jornalista que sem dúvida merece espaço na grande mídia – esse fenômeno se relaciona de diferentes maneiras com a avaliação, em diversos veículos, de que o caminho certeiro para conquistar as massas passa pela proliferação da opinião e dos flashes ao vivo, “enriquecidos” pelas costumeiramente “redentoras” entrevistas dos usualmente “interessantíssimos” boleiros.


Exceções? Claro… No mundo da bola, Lúcio de Castro, Gabriela Moreira, Juca Kfouri, José Trajano, André Rizek, Alexandre Simões, Camila Mattoso, Andrew Jennings, entre outras… Cada vez mais, porém, resistentes membros de uma diminuta minoria…

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É preciso pensar grande

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 193 comentários


Entenda os inúmeros ganhos que o Cruzeiro poderia ter com a entrada de Élber no time.


É preciso pensar grande


Se defendia, há algumas semanas, que Élber vinha pedindo passagem entre os titulares do Cruzeiro, agora, com as duas últimas atuações, podemos cravar, com convicção: o meia-atacante, no melhor dos sentidos, já meteu o pé na porta, invadiu o ônibus sem solicitar licença e, altivo, sentou na janela; não pode, nesse momento, sair da equipe principal!


O fundamental ganho que o jovem da base traria ao time, claro, seria técnico. Habilidade, velocidade, dribles, talento, arrancadas… Como se não bastasse, dá para projetar que, com a entrada dele, taticamente, o conjunto tem tudo para crescer. Em quase todos os jogos da temporada, a Raposa mostrou-se meio torta; atacava em excesso pela esquerda e pouco acionava o lado oposto. Samba de uma nota só. A razão era clara: na ponta canhota, a presença de Alisson, um atleta agudo, ofensivo, da posição, que, para completar, frequentemente dialogava com o inteligente Cabral e com Miño, lateral dono de vocação ofensiva até por ser, prioritariamente, um armador. No flanco direito, próximo ao ataque, na maioria das partidas, não existia um sujeito por conta da posição. Arrascaeta, que chegava a aparecer por ali num 4-3-3, tinha incumbência de flutuar entre este setor e o centro, num trabalho no qual era um pouco homem de beirada, e um tanto armador. Em outras ocasiões, numa espécie de 4-4-1-1 similar ao que Mano escolheu na reta final do ano passado, o uruguaio era um atacante por trás do camisa “9”, com liberdade de se movimentar e sem instrução para, especificamente, fazer o lado com assiduidade. Neste sistema, pela direita, quem aparecia era Romero. Conforme Willians em 2015, o argentino parecia um híbrido de volante e meia pelo lado, ora se situando mais próximo de Henrique e Cabral, pelo centro, ora abrindo de maneira mais clara. De qualquer forma, em todas estas estruturas, os celestes não tinham uma arma ofensiva claramente orientada para ser uma válvula de escape na ponta direita, com a obrigação de ficar ali na maior parte do tempo.


Outra possível vantagem da provável fixação de Élber entre os titulares se encontra na perspectiva de Mayke crescer. O lateral teve seus grandes momentos na carreira quando auxiliado por Éverton Ribeiro. No 4-2-3-1 de Marcelo Oliveira o “chapeleiro” era a peça que ocupava a faixa direita da linha de três meias. Como tal, fazia dobradinha excelente com o jovem lateral que, naquele instante, subia da base. Se Mayke, digamos, abusou da paciência da torcida desde que o largaram sem um parceiro talentoso para tabelar pelo seu lado, e por mais que um jogo seja pouco para conclusões, sua atuação domingo com o apoio de Élber resgata ao menos uma centelha de esperança. Será que, finalmente, amparado por um meia-atacante bem ofensivo e hábil, que cai bastante por ali, ocupa os espaços, atrai as atenções, Mayke novamente brilhará? Realmente acho que pode ser o caso. Élber chama a marcação, abre buracos pelos flancos e pode funcionar, ainda, como garçom para as ultrapassagens do lateral – que aproveitaria justamente a lacuna deixada pelo marcador que seguiu o meia ou ficou hesitante sobre quem marcar (Élber ou Mayke).


Imaginando quem sairia para Élber entrar na equipe, Deivid teria duas possibilidades: jogar como no domingo passado, com um time mais ofensivo, sem Henrique, ou com a volta deste volante e a saída de Arrascaeta. Em nome do talento, da ambição, ficaria com a primeira opção. Romero primeiro volante; Cabral segundo homem; Élber e Alisson como pontas; Arrascaeta flutuando pelo centro, ora ajudando os volantes, ora armando por ali, fazendo parte de um quarteto ofensivo; Bigode na frente.

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Torcedor fanático e manifestações políticas “dos dois lados”

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 275 comentários


Em muitos sentidos, a ignorância, a cegueira que se vê nas manifestações políticas “dos dois lados”, se aproxima daquelas espalhadas pelos torcedores fanáticos de um clube…


Torcedor fanático e manifestações políticas “dos dois lados”


No trabalho de jornalista esportivo, quando passei a me deparar cada vez mais com numerosas demonstrações de um fanatismo louco, totalmente inimigo da razão e da boa capacidade de juízo, comecei a flertar frequentemente com certa preguiça do ato de torcer – que não se mostra permanente; tem longos períodos de descanso. Lógico que não se deve generalizar e que a sabedoria há de entrar no jogo até para que se tenha compreensão, não se julgue de modo demasiadamente rigoroso, um tanto ranzinza. Em algum grau, e em determinadas acepções, porém, a preguiça citada me parece inevitável para certos tipos de indivíduos; mais do que compreensível para eles, correta em termos absolutos. E ser hostilizado dia sim e outro também por torcedores do clube que você sempre preferiu desde criança por ser “claramente” adepto do maior rival, e “indiscutivelmente” não ser profissional para conseguir separar as coisas, com tons de ensinamento mesmo de como você deveria trabalhar, é um capítulo à parte – deve-se notar aqui que o índice da população que não sabe usar as palavras “parcial” e “imparcial” é assustadoramente alto, maioria absoluta de vasta amostragem de xingamentos que toda a imprensa recebe…


Em todo esse panorama soa normal que muitos cronistas deixem de se identificar, em alguma medida, tanto com o ato de ser fã – o que de jeito algum necessariamente atrapalharia a possibilidade de isenção –, quanto com a torcida do seu time de coração, especificamente – não que isso seja regra e sinal obrigatório de que esse sujeito o qual se distancia seja superior, mais inteligente.


Qualquer manifestação de massa, inevitavelmente, terá largo contingente de pessoas ignorantes não apenas num cômputo geral, como também no que tange ao próprio objeto das reivindicações. Na esteira dessa constatação, já ouvi intelectuais defendendo, muitas vezes com total razão, que não se deve ser preciosista, perfeccionista demais no sentido de desistir da participação em eventos dessa natureza (cujo argumento central você apoia), em função da fragilidade do embasamento da maioria dos integrantes do movimento – ou até de alguns outros deslizes destes no campo das ideias. Faz sentido. Mas tudo tem limite… Dependendo do grau, do tipo e da penetração da ignorância, é compreensível ou até correto, recomendável, se eximir, se retirar. Ainda que você coadune com a proposta essencial de uma manifestação. A linha é tênue. Bom senso.


Frequentemente o deparar com um mar de torcedores exagerada e equivocadamente fanáticos, dá preguiça. Você não se identifica. Não quer sequer parecer ser um deles. E mais importante: ainda que haja outras maneiras de torcer, é atingido por alguma aversão ao ato de torcer em geral. Do mesmo modo, sinto que é mais que compreensível alguém ser contra o atual governo e não querer “se misturar” com quem também o é, mas xinga, agride qualquer um simplesmente por estar de vermelho ou por pensar diferente; mune-se de argumentos “belíssimos”, de forma indiscriminada, como “vai para Cuba”, entre outras baixarias morais ou intelectuais que, se não são maioria, tão longe de ser raras em muitas manifestações críticas ao mandato de Dilma. Raciocínio exatamente análogo, em todos os aspectos, vale para quem é contra o impeachment e não deseja se “enturmar” com uma galera que consegue gritar “Lula, guerreiro, do povo brasileiro” – não estou dizendo que quem é contra o impeachment, mas não concorda com a letra do cântico, necessariamente deveria ficar em casa, o que também se aplica para a situação análoga que tracei quando tratava “do time rival”.


Comparar a atual divisão do país com um “Fla x Flu” tem sido comum. Para quem é mais antenado nas questões políticas e intelectuais, soa um tanto batido. Antes das últimas eleições essa referência soava mais interessante – apesar de, ainda hoje, ela valer, em termos pragmáticos. Se em 2014 vivíamos esse clima de Fla x Flu, atualmente, no que tange à violência, à animosidade, à ignorância, estamos mais para um “Gaviões x Mancha Verde”. Sim, o que era parecia impossível aconteceu: o nível baixou…

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As qualidades de Deivid e o preconceito sofrido

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 221 comentários


A pesada e injusta rejeição que Deivid ainda carrega é apoiada no desconhecimento com o qual muitos analisam, e até em certos preconceitos…


As qualidades de Deivid e o preconceito sofrido


As principais características que um treinador precisa ter, grosso modo, são três. Capacidade de pensar e entender o futebol profundamente, em termos táticos, de leitura de jogo, observação dos reais atributos de suas peças e montagem de um conjunto que funciona como tal na acepção da palavra, em sintonia fina, em boa sincronia, minimamente sofisticado e eficiente no que se refere à estratégia; traquejo, boa habilidade para gestão do grupo, psicológica, para lidar com todos os aspectos humanos que envolvem a própria função de um chefe, um líder; e, por fim, conhecimento e aptidão para escolher e aplicar métodos de treinamento corretos. Óbvio que poderíamos subdividir essas categorias de modo a contemplar diversos detalhes, outras miudezas que cercam o cotidiano do futebol e a próprio trabalho de comandante. Mas fiquemos, por ora, com esse olhar mais geral.


Se pegarmos os tópicos assinalados, e pensarmos nos traços que Deivid carrega na nova função que exerce, devemos ficar otimistas quanto ao presente e ao futuro desse profissional. O comandante celeste é um estudioso inveterado de tudo que envolve o lado tático do esporte bretão. Posso falar disso com segurança por longas e numerosas conversas que tive com ele, mas também por diversas informações apuradas com fontes nas quais confio quando o assunto é o dia a dia da Raposa. Conhecimento, conteúdo e estudo: as coisas mais importantes – e as mais negligenciadas, em incontáveis áreas e de infinitas maneiras, no nosso país – ele têm.


Quando o assunto é gestão humana, a despeito da suposta falta de experiência, as notícias seguem positivas. Luxemburgo definhava em um estilo ultrapassado nesse sentido, prejudicando o ambiente com broncas homéricas, desproporcionais, arrogantes e mal educadas. Nesse período, Deivid, apesar da pouca idade e de menos rodagem do que o chefe de outrora, exalava sabedoria ao ser aquele sujeito que chamava os atletas no canto, conversava com tranquilidade, ao pé do ouvido, e limpava a barra – quer dizer, amenizava a sujeira… – do velho “profexô”. As próprias manifestações verbais e gestos do elenco cruzeirense defendendo o atual técnico – em público ou nos bastidores do clube – já vêm de longe, são constantes e soam totalmente genuínas – principalmente se atentarmos para as circunstâncias nas quais elas materializaram-se, o jeito com que foram expostas ao mundo –, e como tais, surgem como provas concretas de que ele é eficaz, vêm produzindo resultados nessa seara.


Métodos de treinamento? Nos tempos de Luxemburgo, Deivid já sugeria maneiras avançadas e inteligentes de preparação do time nesse aspecto. No que tange a essas novidades, o velho Luxa, frequentemente, por vaidade, pouco ouvia. Na prática, muitas vezes Deivid coordenava e comandava os treinos no cotidiano. Nesse campo, ele participava diretamente também na gestão Mano Menezes. Para completar, o imprescindível; de novo, o conhecimento: o técnico celeste absorveu, aprendeu bastante no quesito aqui apontado com o gaúcho citado, mas não somente; sempre esteve atento aos ensinamentos dos ótimos treinadores pelos quais foi comandado ao longo da carreira de atleta, principalmente Luis Aragonés (embora o próprio Luxemburgo dos tempos áureos também possa ter agregado, influenciado consideravelmente).


Se o time conquistou bons resultados na temporada até aqui, e, embora não tenha convencido em muitas partidas, não apresentou nada minimamente devastador para merecer as constantes e exageradas repreensões das quais é alvo, por que Deivid sofre surreal rejeição mesmo depois da vitória no clássico? Simples: desconhecimento e preconceito injusto. Em breve, detalhes sobre o tema…

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