• Cadu Doné

    Cadu Doné é escritor, filósofo e jornalista. Acaba de publicar “Um filósofo no ninho”, seu primeiro romance, que você pode comprar nos links abaixo. Tem uma obra de filosofia e outro romance com lançamentos previstos para breve. No jornalismo, foi colunista de política, cultura e esporte da rádio 98, entre outros trabalhos, em órgãos da imprensa e assessorias. Atualmente, é comentarista da Itatiaia, onde participa do programa Bastidores diariamente, e de outras atrações.

Roth: “prazo de validade”, e os trabalhos no Galo

públicado em by Cadu Doné em Esportes | Deixe um Comentário  

Prazo de validade

Conforme prometido no post anterior, falo agora sobre o outro rótulo atribuído a Roth com frequência.

Em boa parte das ocasiões nas quais Roth foi criticado por ter feito trabalhos com “prazo de validade”, aconteceu o seguinte: o treinador tinha um elenco fraco ou mediano sob seu comando; superando as expectativas, levou esse plantel a resultados expressivos, a brigar por títulos; em certo instante, o rendimento caiu, o que se mostrava mais do que natural, pois o grupo já estava entregando além do que se imaginava, e não era lá essas coisas, para começo de conversa.

Em alguns desses exemplos, até dá para colocar, sim, que a queda de desempenho foi brusca demais, além da conta. Entretanto, mesmo nestes, deve-se contextualizar que Roth não tinha exatamente um grande esquadrão nas mãos, nada perto disso. Já em outros dos casos utilizados para supostamente retratar o “prazo limitado” do trabalho do gaúcho, esquece-se até de dizer que, não somente ele não mereceria as críticas duras pela redução de aproveitamento, pela piora da performance – ou ao menos ser rotulado como um cara marcado por elas -, como era, sobretudo, digno de aplausos por ter, em longo período, tirado “leite de pedra”, e no todo, feito mais do que se esperava – ou até mais ou menos o “normal” para aquele elenco.

O Grêmio de 2008, vice do Brasileiro, foi um exemplar clássico de time que superou o se imaginava, levando-se em conta as possibilidades que possuía “no papel”. No Galo, em 2009, a queda até apresentou-se acentuada em demasia, mas por um bom tempo, Roth também contribuiu para que o elenco fosse além do esperado.

Trabalhos no Galo

No Atlético, aliás, Celso Roth obteve marcas, digamos, consideráveis. Em 2009, conseguiu a melhor campanha do Galo na era dos pontos corridos, quando terminou na sétima posição o certame – percebam que mencionei acima que dá para classificar a queda de rendimento nesse ano em questão como digna de críticas, como elevada demais -, repetindo o desempenho de 2003, ano no qual o gaúcho, curiosamente, começou o torneio como técnico do alvinegro mineiro.

Roth em Minas (fonte: ESPN)

Atlético (Maio de 2009 – Dezembro de 2009)

40 jogos: 17 vitórias, 10 empates e 13 derrotas. Aproveitamento de 55%

Uma nova queda de desempenho voltou a derrubar Roth. Depois de ficar perto da liderança, acabou até sem a vaga na Libertadores e foi demitido.

Atlético (Janeiro – Julho de 2003)

40 jogos: 22 vitórias, 11 empates e sete derrotas. Aproveitamento de 64,2%

Demitido após derrota para o Fortaleza fora de casa. Queda de rendimento causou queda (quatro pontos em quatro jogos antes de cair)

Dica de evento

Aos amigos interessados em literatura, uma dica: nessa quinta, acontece evento imperdível em BH, realizado pelo projeto “Sempre um Papo”.

Afonso Borges, um dos maiores nomes da cultura do nosso estado, receberá João Paulo Cuenca, que estará lançando seu livro de crônicas em BH. Para quem não sabe, Cuenca é autor de 3 romances de sucesso, altamente bem recebidos pela crítica, já escreveu para teatro, cinema e TV (foi roteirista da série “Afinal, o que querem as mulheres”?, da rede Globo..); é comentarista de cultura do programa Estúdio I, da Globo News, e foi cronista do jornal “O Globo”, entre outros, por vários anos.

Cuenca sempre está na lista dos principais escritores brasileiros e latinos da atualidade, e figurou, em 2007, na lista feita pelo Festival de Hay, e pela organização do festival Bogotá Capital Mundial do Livro, que elegeu os 39 escritores latinos mais importantes com menos de 39 anos.

Infos do evento no link a seguir: http://www.sempreumpapo.com.br/agenda/integra.php?id=1021&idCid=1

Vale a pena!

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Análise da chegada de Roth: acerto da diretoria; as famas: retranqueiro e “prazo de validade”; opções melhores não se mostraram possíveis para o clube

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 58 comentários

Celso Roth: a melhor das opções que sobraram; superior a Adílson, nesse momento

- Há algum tempo, mesmo antes de Mancini sair, começaram certos boatos sobre possíveis novos técnicos no Cruzeiro. Determinados nomes apareciam como possibilidades longínquas, especulação mesmo, sem haver nada de muito concreto. Outros chegaram a ser realmente cogitados. De uma forma ou de outra, Felipão, Ney Franco, Levir e Sampaoli (o argentino da La U) foram citados como opções para a Raposa. Os três primeiros mencionados, para mim, seriam alternativas superiores a Celso Roth, e o último, muito provavelmente, também se mostraria aposta mais interessante, embora carregasse consigo maior carga de incerteza, por, entre outros motivos, nunca ter trabalhado no futebol brasileiro. Contudo, nenhum dos treinadores desse quarteto se apresentou como possível, viável, seja por pedirem demais financeiramente, ou por não poderem – e/ou quererem – largar seus compromissos.

Vale lembrar, a classificação inesperada – em função do resultado no jogo de ida – da La U para as quartas de final da Libertadores dificultou a saída de Sampaoli, mudou o cenário das negociações com ele.

Assim, feito esse preâmbulo, digo que, entre o que sobrou, entre o que estava efetivamente no mercado, dentro do possível, Celso Roth foi uma boa escolha, um acerto da diretoria. Nesse momento, o prefiro a Adílson, considerando todo o contexto do Cruzeiro, o elenco que o clube tem, e até o passado recente desses dois técnicos.

As famas de Roth, um tanto injustas: retranqueiro e “prazo de validade”

- Quando se fala em Celso Roth, dois discursos-padrão logo se apresentam: o primeiro, ligado à velha fama de retranqueiro, e o segundo, ao suposto fato de ele começar bem os trabalhos, e depois seus times caírem de rendimento. Essas duas opiniões, que já viraram clichês, carregam consigo um fundo de verdade – sobretudo a primeira. Entretanto, creio que dá para relativizar esses rótulos, que é um tanto injusto e simplório taxar o nome em questão apenas com essas descrições, defini-lo assim.

De fato, Roth deu, em muitos momentos da sua carreira, prioridade excessiva à defesa, e errou nisso em certas ocasiões, ao não jogar com maior ambição ofensiva. Entretanto, em um número razoável de vezes em sua trajetória, montou equipes normais, que, se não eram propriamente exemplos claros de futebol que privilegiava o ataque, não poderiam ser chamadas também de retranqueiras. Formações com dois volantes, dois meias, e uma dupla de frente, já foram utilizadas com recorrência pelo gaúcho, assim como versões, espécies de variações dessa ideia, por exemplo, com dois marcadores no meio, um terceiro homem que ajudava no combate e saía para o jogo, e um armador atrás dos avantes.

Repito: Roth concedeu, sim, em vários instantes, menos privilégio ao ataque do que deveria. Só acho meio simplista reduzi-lo a esse rótulo, já que, em uma quantidade considerável de trabalhos executados por ele, as equipes não eram exatamente defensivistas. No Inter, optou por Giuliano, D’Alessandro, Sobis e Alecssandro com frequência, ou seja, tinha um meio criativo – é claro que as características do elenco facilitaram esse caminho… Quando sacava Giuliano, Tinga entrava, e se ele não era um armador exatamente, também buscava o jogo, ia à frente, criava, não ficava preso à marcação. No Grêmio, em 2008, quando foi vice do Brasileirão, o “professor” novamente oscilou entre essas duas possibilidades – dupla de meias ou volante que ajuda na criação com um armador propriamente dito. E assim, do mesmo modo, procedeu também em outros trabalhos.

Sobre a outra “fama” dele, falo daqui a pouco, no próximo post.

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Análise do Mineiro: título merecido; possibilidades das equipes de Minas nos nacionais; favoritos para a Série A; a melhor formação para o Galo, do meio para frente; mais!!

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 109 comentários

Título merecido, primeira conquista invicto desde 76, e o jogo desse domingo

- O Galo mereceu o título mineiro. Começou num bom ritmo, teve queda considerável em certo momento da competição, e depois, no todo da decisão, da grande final, foi superior ao Coelho. Não brilhou, não convenceu. Em geral, contudo, não houve oponente, participante melhor; mostrou-se a equipe mais forte do estadual. Reforço, portanto: a conquista ficou em boas mãos. Vale o registro, a curiosidade histórica: a vitória de hoje marcou o primeiro título invicto, atleticano, desde 76 (no ano seguinte, seria vice do brasileiro também sem perder).

- No jogo desse domingo, o América, em certos momentos, até teve mais posse, certo controle – esse período foi breve, esporádico. Entretanto, em nenhum instante foi incisivo, possuiu considerável qualidade para arquitetar as ações, e pouco criou em todo o cotejo. O Galo esteve melhor em quase todo o confronto, construiu número maior de oportunidades, levou bem mais perigo ao adversário. Em seus melhores momentos na partida, o alvinegro apresentou como maior virtude, novamente, a velocidade, a objetividade, o futebol vertical. Essa parece continuar sendo a tônica pedida por Cuca. Para o Brasileirão, a equipe deverá aprender, em determinadas circunstâncias, a ser o time da posse, da calma, e não somente aquela que acelera o ritmo. No segundo tempo de hoje, até ensaiou fazer um pouco desse jogo mais cadenciado. Mas pelo contexto, pelo estado do adversário naquele instante, fica difícil avaliar com precisão a real capacidade nesse aspecto.

Guilherme e a melhor formação, a melhor escalação do meio para frente

- Em 2012, tenho elogiado Guilherme. Nesse domingo, o jogador confirmou a boa fase. Toques precisos, calma, inteligência para distribuir o jogo. Tem se firmado como um “novo jogador”, “menos atacante, finalizador”, a despeito da ótima conclusão que gerou o gol de Serginho, e “mais meia, arquiteto”. Deve ser titular absoluto, nesse momento, do Galo, e vale ficar de olho no atleta. Uma pena ter saído machucado em um dia no qual estava tão bem. Queria continuar observando seu desempenho.

- Com Pierre, Donizete (ou Fillipe Soutto), Bernard, Guilherme e André, o Galo, com alguns acertos, pode ter um bom time para o Brasileirão, do meio para frente, no 4-2-3-1 que Cuca vem adotando – vejam bem, disse “bom time”, nada espetacular, nada necessariamente com as condições ideais para disputar o título, longe disso. Para mim, falta uma peça para completar essa formação, um meia capaz de pensar o jogo para fazer dupla na armação com Bernard, que tem o estilo de acelerar as jogadas (essa combinação de dois criadores com características diferentes seria interessante). Essa necessidade se acentua se considerarmos que Danilinho e Escudero não têm jogado bem, e que Mancini – que para mim, pode ser muito útil ainda -, não tem mais aquela condição de ser titular em um campeonato tão competitivo e desgastante fisicamente como o nacional. Seria boa arma para entrar eventualmente, até com frequência, durante os jogos, ou quando alguém estivesse fora, por suspensão ou contusão.

Debates, dê sua opinião; favoritos para o Brasileiro

- Vamos, agora, aos debates: o que acharam do Mineiro? O título ficou em boas mãos? Após o fim do estadual, qual a palavra final: são a favor ou contra esses torneios?

- Para o Brasileiro da série A, como chegam Galo e Raposa? Quem entra melhor no certame? Algum terá condições de lutar pelo título? Como anda o futebol mineiro? E o Coelho, na “segundona”?

- Para completar, como escalariam o Galo do meio para frente? Concordam com as análises feitas acima sobre esse setor?

* Voltarei ao tema com mais calma depois, mas só para, de certa forma, já “começar” a discussão: nesse momento – o que pode mudar,por vários fatores, os quais analisarei em outra oportunidade, não se esqueçam -, vejo Santos, Fluminense, e Corinthians, como os principais postulantes ao título da Série A. Internacional e São Paulo, aparecem logo atrás nessa escala, completando o rol dos 5 maiores candidatos, na minha concepção.

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Cruzeiro: atuação desastrosa, elenco fraco, saída de Mancini; problemas individuais e coletivos da equipe; erro de Roger, a “chatura” de W9, o Brasileirão, e muito mais…

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 91 comentários

Atuação fraquíssima, desastrosa; saída de técnico, jogo movimentado, com vários acontecimentos importantes: há muito o que se dizer do Cruzeiro.

Sempre saindo perdendo

- A Raposa completou 8 jogos seguidos saindo atrás no placar, e chegou à quarta derrota consecutiva. Não dá para começar sempre perdendo, bobear tanto nos primeiros minutos dos jogos; nem se o time tivesse alta qualidade para virar os confrontos – o que não é o caso, muito longe disso – seria “viável” uma quantidade tão grande de partidas nas quais inicia no prejuízo.

Os vários defeitos, individuais e coletivos

- Acho que, de certa maneira, bem geral, dá para dividir os problemas da equipe em “dois grupos”. Primeiramente, como já falei várias vezes, o elenco é fraco: a zaga falha muito, o sistema de marcação é frágil (só Guerreiro e Fábio vêm se salvando defensivamente); os laterais conseguem deixar avenidas em seus setores sem ajudar ofensivamente, sem passarem minimamente perto de compensar, no apoio, as lacunas no combate; criatividade, toque de bola, gente para construir: tudo isso anda em falta; para completar, o ataque tem pouca habilidade e velocidade. Quantas vezes já escrevi essas coisas?

Em segundo lugar, além da deficiência técnica exposta nesses pontos acima, da fraqueza individual do plantel, coletivamente, a equipe vinha se mostrando “sem cara”, sem acerto, despida de entrosamento, desarrumada, desorganizada. Não há jogadas, aproximação, sintonia, aquele ritmo “acertadinho” que muitas vezes ajuda times não tão bem dotados em termos técnicos. Com a limitação do elenco, não dava para “querer de mais”, pensar muito alto, e cobrar exageradamente de Mancini. Porém, mesmo tendo em mente os problemas listados, era bem possível render mais. Até por isso, a mudança no comando técnico já se fazia recomendável.

Assim, para o Brasileirão, não dá; quase caiu, e pouco mudou; descontrole emocional

- Com esse time, simplesmente não dá para jogar o Brasileirão competitivamente, com a ambição que condiz a um time grande. O Cruzeiro quase caiu, e pouco mudou. Teve o aviso, e não se mexeu, não contratou bem – das 10 novas aquisições, apenas 1 costuma ser titular (e sem grande destaque), como sempre lembra João Vítor no Bastidores.

- Chamou atenção o descontrole emocional da equipe após tomar o gol. Wellington Paulista, Roger, e outros atletas, não apensas discutiram, o que, em si, nem tem necessariamente nada de mais; o comportamento, a expressão corporal de muitos, denotavam uma ansiedade, uma “pilha” excessiva e maléfica – não daquelas ligadas apenas ao ímpeto, à vontade de vencer.

Bobagem de Roger, “chatura” de W9 e erros da arbitragem

- Digno de nota o erro de Roger na expulsão. Mereceu o vermelho. Essa mania de ficar cavando faltas é uma estupidez incrível que se espalha pelo futebol brasileiro. E jogador experiente cometer um equívoco desses… Como devem se recordar, não é a primeira vez que o meia é protagonista de uma infelicidade decisiva. Once Caldas, Libertadores…

- Chegou a ser irônico ver Wellington Paulista dizer que Roger errou ao tentar ludibriar a arbitragem. Não que estivesse equivocado nessa declaração. Pelo contrário. Estava certíssimo. Mas tais palavras, vindas de um dos maiores “cai-cai” do futebol brasileiro, não deixam de ter o mencionado teor cômico. Aliás, aproveitando o “gancho”, cabe o registro: como Wellington é chato dentro de campo! Cai toda hora, procura choques desnecessários, fica se “enganchando” sem necessidade com os oponentes, reclama acima de qualquer limite… E como já dura esse comportamento!? O incrível é que com certeza já falaram desse assunto com ele – o próprio Mancini, no início de sua trajetória no Cruzeiro, no Bastidores, revelou que conversaria com Wellington sobre alguns dos aspectos referidos. Fora de campo, o atacante é de uma simpatia incrível, parece ser ótima pessoa; tecnicamente, mesmo não sendo um grandíssimo atacante, considerando o que o Cruzeiro possui, até tenho defendido sua titularidade (de preferência jogando “na sua”, algo que não vem ocorrendo); entretanto, nos quesitos aos quais aludi, ele peca demais.

- A situação poderia ter sido pior: para mim não houve o pênalti marcado para os mineiros, e Souza deveria ter sido expulso no segundo tempo, em entrada que lembrou a de De Jong na final da Copa (que também passou impune, curiosamente, mesmo sendo bem pior do que a do Cruzeirense). Aliás - sobre a penalidade -, me impressiona como aqui em Minas boa parte da crônica ainda acha que no futebol qualquer mísero contato configura falta. Tema para outro post.

- A expulsão de Roger muda a análise do jogo; a total desorganização no segundo tempo também passou por isso, há de se apontar, para ser justo com o treinador.

Anselmo e W9 não devem jogar juntos; o domínio do Atlético-PR

- Anselmo Ramon e W9 não devem jogar juntos. Já abordei esse tópico várias vezes, mas não custa lembrar, às vésperas do brasileiro. Com essa formação, o ataque fica com pouca capacidade de drible, passe; falta habilidade, qualidade. Abrir defesas com ele, dar continuidade às jogadas do meio, dialogar com os armadores, tudo isso é pouco viável com a dupla atual. Muitas vezes, nem com dois centroavantes infinitamente melhores do que aqueles que são hoje os titulares da Raposa, se opta por esse estilo, e um acaba ficando no banco, a despeito da qualidade (em outro caso, outra realidade, COMPLETAMENTE distinta, e cheia de detalhes, vejam que Fernando Torres e Droga não costumam atuar como parceiros, para ficar em um exemplo, repito, TOTALMENTE diferente em muitos sentidos). Imagina quando os dois jogadores de área estão muito longe de ser sumidades…

- O Atlético-PR foi melhor nos dois confrontos, e mereceu a classificação com sobras. Guerrón foi muito bem nos cotejos, sobretudo no segundo. Por outro lado, não dá para deixar de salientar a incrível liberdade que ele teve em muitos, muitos lances mesmo. Os espaços, o tempo para pensar o que fazer, os buracos, a frouxidão da marcação: todos esses aspectos estavam bem nítidos.

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América e Atlético: equilíbrio, erros da arbitragem; Guilherme; Galo ainda precisa melhorar muito para a Série A; Coelho mais próximo da competitividade para a sua realidade

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 46 comentários

- Em geral, a partida desse domingo foi boa, movimentada, com emoção e qualidade técnica superiores à média do Campeonato Mineiro (o que não significa muita coisa…). Houve variações em termos de domínio: tanto o Galo quanto o Coelho tiveram instantes de alguma predominância no confronto. O primeiro teve número maior de chances, mais volume, maior poder de ser incisivo – a diferença nesse ponto não foi avassaladora, é bom salientar. O segundo, em considerável parte do cotejo, mais presença no campo de ataque, maior controle do meio-campo – apesar de não ter conseguido traduzir essa “vitória” em oportunidades. No duelo como um todo, dá para dizer que a tônica foi o equilíbrio; não houve um desempenho claramente superior de nenhuma das partes.

- Nessa temporada, já vinha salientando a melhora de Guilherme, o bom rendimento dele em 2012 – ainda abaixo da expectativa, há de se destacar. Contra o América, o jogador confirmou esse crescimento. Não foi espetacular, não teve apresentação digna de grande craque; porém, teve participação importante em vários lances, criou jogadas interessantes, deu bons passes, serviu bem os companheiros. Aliás, de certa maneira, em alguns momentos, até conseguiu “parar a bola”, pensar o jogo, coisa que o Atlético tanto precisa – entretanto, vale dizer, Guilherme não deve ser “o” responsável direto por isso; digamos que, apenas, “quebrou galho” nesse aspecto, que nem é a função primordial dele; o Galo ainda precisa de reforços para sanar esse defeito.

- Arbitragem: já revi o lance várias vezes e não consigo ver a bola batendo em Serginho na jogada que gerou o escanteio decisivo para o jogo. Primeiro erro da arbitragem. Para mim, era tiro de meta. Depois da cobrança do corner, no lance que gerou o gol, existiu impedimento. Segundo equívoco.

Algumas pessoas vêm dizendo que houve uma penalidade para o América no início da partida, quando a bola bateu na mão de Réver. Na minha visão, ela não existiu. A jogada não foi intencional, nem se enquadrou naquelas que, mesmo não sendo deliberadas, devem ser consideradas infração, pelo fato de o jogador estar com os braços abertos demais, imprudentemente.

- O Galo ainda precisa melhorar muito. Com esse rendimento, sem qualquer sinal de firmeza, de regularidade, no time, de capacidade de controlar, se impor com frequência, não dá para encarar a Série A. O Coelho, por sua vez, é o que se encontra em melhores condições entre os 3 maiores de Minas. Afinal, para disputar a Série B, já tem time com qualidade suficiente para ser competitivo. Precisaria, talvez, de mais algumas peças de reposição.

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