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A situação peculiar do Cruzeiro

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 12 comentários

Gosto muito de Marcelo Oliveira, sou fã do comandante celeste. Mas ele parece adorar, ainda mais, Willian Farias…

 

A situação peculiar do Cruzeiro

 

Avaliar a temporada do Cruzeiro até aqui parece uma função um tanto ingrata, capciosa. Afinal, de um lado estão os resultados inegavelmente representativos, um cartel verdadeiramente digno de nota. Equipe invicta. Liderança no estadual e na Libertadores. No polo oposto, porém, se encontra um conjunto que, em boa parte dos jogos, mesmo quando vence, não convence. E aqui não falo de brilhantismo em termos estéticos, artísticos. Nada de futebol “bailarino”. Não. Me refiro à própria falta de consistência, de confiança transmitida pelo esquadrão cinco estrelas.

A ausência desta solidez mencionada, a reticência da torcida e da imprensa, para mim, têm motivos muito claros. Ao contrário do que predominou nas últimas temporadas, em 2015, a Raposa não tem exibido um toque de bola realmente envolvente, dinâmico, fluido, eficaz. Tudo parece travado demais. Preso, truncado. Chutões, ligação direta. Volantes se livrando da bola sem muita consciência. Perde e ganha. Bate-rebate.

Esse diagnóstico se atrela a algumas constatações. Em primeiro lugar, o Cruzeiro, em Willian Farias, tem um parceiro quase oposto para Henrique se tivermos em mente, como alvo de comparação, o titular da temporada passada, Lucas Silva. Willians, mesmo jogando pouco em termos quantitativos, agradou, e, sem dúvida, quando voltar, deve, no mínimo, diminuir muito o problema. Gosto bastante de Marcelo Oliveira, sou fã do comandante celeste. Mas ele parece adorar, ainda mais, Willian Farias…

Ainda no setor dos “cabeças-de-área”, deve-se observar que, Henrique, embora ótimo jogador, excelente opção, não possui como característica ser um segundo volante com obrigação de começar as jogadas todas sozinho. Ele é o cara ideal para fazer “um pouquinho” de cada coisa. É até dono de bom passe, boa qualidade para a saída. Mas não faz o estilo com habilidade e criatividade suficientes para, ao lado de um volante estritamente marcador, extremamente limitado, assumir todo o árduo trabalho de fazer o elo com os meias, começar as ações ofensivas de trás. Precisa de um companheiro que contribua pelo menos um pouco nisso. No país, poucos seriam capazes de trabalho tão ingrato, de “assumir essa bronca” sozinho. Talvez somente Elias…

Cheguemos à linha de armadores. Em alguns jogos, sobretudo quando Arrascaeta esteve indisponível, Marcelo foi obrigado a compor o trio de meias somente com homens que, essencialmente, são “jogadores de lado”. Logo, centralizado, como arquiteto das jogadas, termômetro do meio-campo, pensador da equipe, escalou nomes que, embora dotados de qualidade, não combinam com esse tipo de incumbência. Isso, deixemos claro, não por erro do treinador, e sim por deficiência do elenco – que é bom e pode levar o Cruzeiro a conquistas, mas que como todos os outros no Brasil, possui suas lacunas. Por causa dessa questão, nesses cotejos destacados, reinava a ausência de alguém para organizar, cadenciar, ditar o ritmo.

Taticamente, a falta de compactação tem chamado atenção. Ela vem ocorrendo um pouco pela característica das peças escaladas – grosso modo: volantes, no todo, pouco criativos, e armadores somente agudos, verticais, carregadores de bola, sem um cabeça-de-área para organizar de trás e um meia para pensar na frente –, um pouco por falta de sintonia pura e simples.    

No frigir dos ovos, a despeito dos defeitos arrolados, o saldo é positivo. Além disso, penso ser perfeitamente sanável todo esse quadro desenhado. Dá para ter boas perspectivas com relação ao grupo e ao – excelente – treinador. Em coluna vindoura, explico por quê.

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