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Os três melhores times e o maior clássico do mundo

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 34 comentários


Dinheiro, status, glamour. Os maiores craques. Tudo isso unido à rivalidade histórica, genuína, a questões políticas e culturais. Os ingredientes para o “clássico perfeito”.


Os três melhores times e o maior clássico do mundo


Se fizermos uma lista dos melhores times do planeta, nos últimos anos, há um cenário muito claro na ponta: Bayern de Munique, Barcelona e Real Madrid lideram, não necessariamente nesta ordem. Pode parecer óbvio. De fato, não se trata de nenhuma constatação genial. Mas curioso, digno de nota é o fato que, a presença de três clubes como donos do mundo de forma tão cristalina, contundente, longeva, absoluta, inquestionável, num cenário “limpo”, sem fragmentações, oscilações suficientemente bruscas para que um deles saia do seleto grupo, não é comum. A regra costumava ser um panorama mais “errante”, mais afeito a intrusos, fases, mudanças, ciclos de menor duração.


Nesta temporada, Manchester City, Chelsea e Manchester United se tornaram mais fortes do que na anterior. Por unirem força financeira, de certo modo, compatível à briga com o citado trio de ferro, e em função de outros fatores, vêm se firmando recentemente como membros de um patamar, uma escala que corresponde a uma espécie de degrau inferior, logo abaixo ao dos “bam bam bans” – embora o United tenha tido, na temporada passada, o pior desempenho disparado da sua história recente, ficando fora da Champions pela primeira vez em 19 anos e nem entrando na Liga Europa. Vincent Kompany, recentemente, em coletiva que antecedeu o confronto de seu Manchester City contra o Bayern, mostrando clarividência, visão, percepção raras a um jogador, capacidade de ter um panorama geral do mundo do futebol, afirmou que o próximo passo do atual campeão inglês é justamente ingressar no grupo do “top 3”, tornar-se capaz de vencê-los, incomodá-los.


Se já faz muitos anos que a decantada trinca comanda o planeta, fica fácil entender por que o clássico Real Madrid e Barcelona, sempre especial, ganhou uma carga extra de badalação e status nos últimos tempos. Afinal, a dupla espanhola obteve no passado recente extrema solidez e regularidade de rendimento, resultados, aliada à capacidade de fazer as contratações mais caras, de construir um glamour diferenciado em torno dos clubes. Resumindo, seria como se os galácticos dos dois lados dessem certo, títulos, ao contrário da geração Madridista que reuniu Ronaldo, Zidane, Beckham e companhia; apresentassem futebol bonito, ofensivo, envolvente; e, para completar, tivessem cada um sua estrela maior, as duas “marcas” que lutam pelo domínio de tudo no futebol desde 2008 com extremo “monopólio”: Messi e Cristiano Ronaldo. Na era do consumo, do marketing, de certo tipo de individualismo, culto à celebridade, à persona, faz diferença ter “bandeiras” pessoais tão fortes.


Quiseram os Deuses do esporte bretão que dois dos três clubes mais dominantes, poderosos, fossem do mesmo país. Unindo esse fato, as outras questões mencionadas, e as desavenças políticas, culturais entre Espanha e Catalunha, tem-se a fórmula perfeita para se construir o maior clássico do mundo. Rivalidade genuína, sentimento de regionalismo aguçado, história, raiz, se somam à capacidade de atrair o resto do planeta, mesmo quem nada tem a ver com as nuances locais; status, dinheiro, glamour, mídia: no sábado, mesmo com rodada do Brasileirão, muitos torcedores tupiniquins darão prioridade ao maior jogo do mundo, no Bernabéu.

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