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Punição para inglês ver

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 3 comentários


Não é que a medida do MP seja ruim. Porém, sozinha, ela não resolve. Agora, basta o vândalo trocar a camisa para, tranquilamente, entrar no estádio, e fazer sua bobagem.


Punição para inglês ver


Não dá para dizer que todas as torcidas organizadas são violentas. Fanáti-Cruz e Churrazeiros, do Cruzeiro; Movimento 105 e Galo Metal, do Atlético, me parece, são exemplos de grupos que se unem com o intuito, apenas, de torcer e se divertir. Já conversei com membros de algumas dessas agremiações que nem as chamam de torcidas organizadas, inclusive. Mas aqui o rótulo, a definição, pouco importa. A questão é destacar que existem, sim, torcedores que formam grupos pacíficos, do bem.


Também não se pode cravar que qualquer pessoa envolvida com a Máfia Azul, a Pavilhão Independente e a Galoucura – organizadas punidas esta semana pelo MP – é marginal, criminosa, afeita às brigas.


Ao longo dos anos, entretanto, essas três uniformizadas mencionadas já se envolveram, direta e indiretamente, em tantos episódios lamentáveis, que, inegavelmente, a despeito da existência de pessoas inocentes dentro delas, a punição se faz mais do que justa. Digo mais: a recorrência e o nível das atrocidades cometidas por alguns que mancham o nome dessas organizadas deveriam fazer, inclusive, que os integrantes pacíficos delas sentissem a necessidade, a justiça de alguma medida, de alguma sanção. Estas pessoas, de boa índole, ainda que parte das agremiações, devem perceber que, do jeito que está, não dá para continuar. Que é o momento de recomeçar. De colaborar para que a parcela de companheiros mal-intencionados dentro das torcidas seja punida. De compreender que esta fatia acaba direta e indiretamente sujando o nome exatamente de quem não quer briga e faz parte de alguma dessas uniformizadas – a gravidade e o número de incidentes são tão exacerbados que as “marcas” dessas torcidas já remetem a algo ruim na sociedade em geral; logo, dizer que integra uma delas, mesmo para quem não se envolve em confusões, na maior parte dos setores, já “pega mal”.


A verdade é: ficar apenas no discurso de que não dá para generalizar sobre as organizadas é óbvio demais, cômodo demais. Pouco eficiente e inteligente. Chega o momento no qual os fatos que depõem contra tais grupos são tão graves e numerosos que, mesmo reconhecendo que nem todos os seus integrantes são problemáticos, a “instituição”, por ser, em si, tão conectada à desordem, ao crime, há de ser repreendida.


Ficar somente na medida do MP, contudo, é “tirar o sofá da sala”, é para inglês ver. Chega a ser surreal a crença de que apenas impedir a entrada de torcedores com bandeiras e adereços dessas torcidas nas praças esportivas é capaz de ter resultado minimamente efetivo. Não é que a medida seja ruim, essencialmente. Ela simplesmente é pequena demais. Ela simplesmente, não resolve.


Para ter resultados realmente valiosos, a decisão do MP deveria se unir a um esforço de inteligência para banir dos estádios, ao menos, as figurinhas mais carimbadas das torcidas organizadas. Independentemente do uso de camisa.


E, em geral, o caminho certeiro ainda é: individualizar as penas.

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