×

Não há nada pior do que nosso calendário

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 8 comentários


Times que pagam salários, investem, e perdem suas estrelas em “finais” para a seleção disputar amistosos; regras que dão margem à especulação sobre a entrega de jogos: apenas alguns problemas do pior calendário do mundo.


Não há nada pior do que nosso calendário


Não há nada mais surreal do que o calendário do futebol brasileiro. No esporte bretão tupiniquim, repleto de problemas gravíssimos – dirigentes corruptos e mal preparados, jogos fracos, estádios vazios… -, o cronograma de partidas está, sem dúvida, entre as principais dificuldades. Perde, provavelmente, apenas para o despreparo e a falta de noção da cartolagem – e com essa realidade se entrelaça, já que são esses Mandachuvas “lunáticos”, disparatados, que o organizam.


Quando se fala em calendário, diz-se que sua principal questão é o acúmulo de jogos. Não é verdade. Por mais que este também seja um ponto importante, um erro até grave, na escala de loucuras do nosso cronograma esta situação esmorece, se perde em insignificância em meio a tantas coisas piores. Sabe aquela história do assassino em série que é preso por “gato” de TV por assinatura? É por aí. Nosso calendário aniquila tanto o espetáculo, a justiça, que o alto número de partidas vira contravenção em meio a crimes hediondos.


Comecemos a enumeração dos erros. Um futebol que não para sua atividade local durante as datas FIFA, só pode estar de brincadeira. O clube contrata, paga horrores, faz ginástica orçamentária, se mata para ter um bom time… Eis que, de repente, suas estrelas são convocadas e… E? Simplesmente ficam fora de jogos importantíssimos, que “apenas” decidirão o destino da equipe na temporada – para a qual, lembremos, o investimento “emprestado” à seleção foi contratado ou mantido como medida central, como maior esperança e estratégia para se obter sucesso justamente nesta mesma temporada. É mais do que surreal.


Para piorar, nosso calendário e nossa organização permitem que clubes percam também peças-chave para seleções de base. Isso mesmo. Atletas já consolidados no profissional, já conhecidos no futebol mundial, digamos, por vias muito mais sólidas do que as categorias dos jovens, frequentadores de vitrines muito mais reconhecidas do que os torneios de “promessas”, já estabelecidos no mercado, deixam partidas com peso semelhante ao de finais de campeonato em suas agremiações para disputar AMISTOSOS de “juvenis”. É para desistir.


Se todas essas insanidades já são conhecidas, há algum tempo, do grande público, na semana passada uma nova mazela do nosso calendário – utilizo aqui o termo em sentido amplo – ganhou a imprensa e a boca do povo. Clubes eliminados de uma competição local receberam, como prêmio, passagem para um torneio continental. Agora conta a do português?! Mas não, é no Brasil que isso acontece mesmo. O principal defeito nesta regra é a evidente falta de lógica, sentido, meritocracia. Uma confusão de valores, onde não se sabe o que é importante, o que deve ser feito. Ademais, tal regulamento dá margem, sim, a especulações em torno de supostas “entregadas”.


Sobre “entregadas” de jogos


Para mim, São Paulo e Fluminense não preferiram a Sul-Americana. Deram vexame mesmo. Mas, conforme Arnaldo Ribeiro da ESPN confirmou no “Linha de Passe”, em temporadas passadas, um assessor do Náutico disse para profissional do canal citado que seu clube não “ganharia o jogo”, que eles poderiam “esquecer aquela partida”, que nem sabiam por que a equipe do canal “estava lá em peso para transmitir o cotejo in loco”. Para um clube não acostumado às competições internacionais, valia mais a Sul-Americana do que a Copa do Brasil, certame que “nunca vencem”, mas do qual, sempre, ao menos, “quando querem”, fazem parte. Por isso, o Náutico não faria o “menor esforço” para vencer aquela partida, válida pela Copa do Brasil – afinal, a desclassificação seria passaporte certo para a Sul-Americana. O principal problema aí pode até ser a questão ética, e nesse aspecto, óbvio, não dá para isentar o clube. Mas a organização, a regra e o calendário – termo utilizado aqui em sentido amplo – do nosso futebol, não podem dar margem a isso. Esse tipo de artifício não pode estar entrelaçado à lei do futebol, ao regimento deste esporte.

Compartilhe:
  • Print
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Orkut
  • PDF
  • RSS
  • email

Levir e o clichê do “volante que sai para o jogo”

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 22 comentários


O argumento de Levir soa lógico. Mas é um tanto “furado”.


Levir e o clichê do “volante que sai para o jogo”


Em entrevista recente, Levir Culpi disse que, para jogar com quatro homens ofensivos – como acontece no Atlético, que vinha reunindo Tardelli, Guilherme, Maicosuel e Jô -, volantes de mais marcação, como Pierre e Leandro Donizete, são necessários. Até imprescindíveis. A declaração soa lógica, sensata, inteligente. Parece, a priori, justificativa mais do que suficiente para a presença de volantes essencialmente destruidores. Para aquele que acompanha de longe, escuta tais palavras “de passagem”, e/ou não se aprofunda nas questões táticas do futebol, o argumento “cola”. Mas se examinarmos o assunto com mais afinco, profundidade, veremos que não é por aí.


Primeiramente, uma ressalva: dizer que joga com quatro homens ofensivos, de modo que parece dar a tal formação contornos únicos, diferenciados, ou algo na linha, não procede. O mencionado quarteto nada mais é que a união dos três meias com o centroavante, que fazem parte do 4-2-3-1, esquema que quase todos estão usando. Portanto, várias equipes atuam com esse mesmo esqueleto; e boa parte delas, no meio, possui marcadores que agregam mais com a posse, menos limitados do que os do Galo. Cruzeiro, Fluminense e Inter são exemplos claros disso. Corinthians e São Paulo, normalmente, também – não digo sempre pelo fato de estes esquadrões ainda estarem em montagem e passarem, aqui e ali, por mudanças estratégicas. E isso para ficar apenas nos cinco primeiros do Brasileirão.


É evidente que, para jogar com os quatro homens mais adiantados que hoje o Atlético coloca em campo – e isso vale para os outros times que formam a maioria adepta do 4-2-3-1 -, é preciso ter cuidado e boa combatividade dos volantes. É óbvio. Mas isso não significa que eles devem se limitar à destruição, que não há problema quando pouco acrescentam na saída de bola, que tal habilidade seria supérflua. Pelo contrário. Faz-se quase indispensável, atualmente, ter essa qualificação de passe vinda lá de trás. Mesmo um conjunto ofensivo, com os famosos quatro homens avançados, durante o jogo, vai precisar da contribuição, no ataque, na armação, desses atletas mais recuados do meio. E mais: ter a qualidade de ser extremamente importante defensivamente, bastante efetivo nessa seara, não é algo que, necessariamente, essencialmente, como principio, há de excluir a habilidade para passar. Novamente, digo que, hoje, é indispensável ter as duas coisas. E muitos jogadores por aí – e não falo só daqueles no patamar mais top, tipo um Toni Kroos – juntam essas virtudes que, para alguns, parecem excludentes.


No gancho desse assunto, uma observação: convenciona-se colocar “volante com qualidade técnica” e “volante que sai para o jogo” como expressões sinônimas. Nesse sentido, como este segundo “abandonaria a marcação para avançar”, deixaria um buraco no meio. E este é um risco que um time com tantos homens avançados não poderia correr. Estaria, aí, a justificativa para a “lógica” de Levir. Mas, não contem para ninguém: o volante de qualidade não precisa obrigatoriamente “sair para o jogo” toda hora. Pode ser, simplesmente, aquele cara que guarda posição, é o xerife do meio, mas que, lá de trás, começa as jogadas com o mínimo de qualidade, de condições para tal. Assim, eis mais uma maneira de “desmistificar” a explicação do treinador alvinegro. Fora que, no fundo, mesmo se este volante “sair para o jogo”, ele não se torna incompatível com um quarteto ofensivo. Recomposição, cobertura, movimentação, ocupação de espaços, sintonia para não subir quando um companheiro avança… Há muitos mecanismos para regular essa engrenagem.

Compartilhe:
  • Print
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Orkut
  • PDF
  • RSS
  • email

O Cruzeiro está certo em se manifestar

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 43 comentários


“Mimimi” contra a arbitragem muitas vezes é chato, condenável. Mas chega o momento em que, seja pela repetição, pela gravidade, ou pelo poder de influência dos erros, o clube deve mostrar seu repúdio, sua insatisfação, tomar uma posição pública firme, clara e sóbria.


O Cruzeiro está certo em se manifestar


Não sou partidário daqueles discursos – tão comuns na imprensa mineira, quanto populares perante o público do nosso estado – que sempre aludem ao tal “eixo Rio-São Paulo”. Espécie de complexo de vira-lata regionalista, essa mania de perseguição serve mesmo é para os comunicadores locais tentarem ficar fortes em seus “currais” – aqui, no Sul e no Nordeste, por exemplo. É claro que, na chamada mídia nacional, são comuns certos privilégios às duas cidades mais famosas do país que, digamos, extrapolam qualquer senso de proporção, e que outras localidades – ou instituições, pessoas que delas fazem parte -, por serem menos badaladas, aqui e ali sofrem suas injustiças. Só acho a famosa conversa de depositar tudo na conta do “eixo” tão batida, que se torna enfadonha. Ademais, muitas vezes é simplória, não explicada nada, e é utilizada de forma surrada e indevida.


Por que o preâmbulo sobre essa discussão regional, tão ouvida entre as torcidas mineiras? Simples. Gostaria de contextualizá-la com um fato indiscutível que vem ocorrendo no campeonato Brasileiro: chega a ser curioso, assustador, até, o número de pontos que o Cruzeiro perdeu com a contribuição da arbitragem. Nos jogos diante de São Paulo, Atlético e Criciúma – este, no último fim de semana -, a Raposa foi prejudicada decisivamente. Frente ao Atlético-PR, também, quando pênalti claro a seu favor não foi marcado – mas, na oportunidade, o Cruzeiro venceu mesmo assim. Erro importante beneficiando o clube celeste, apenas na goleada diante do Figueirense, quando, convenhamos, por circunstâncias diversas, não dá para dizer que a arbitragem teve qualquer influência no resultado. Nos três jogos mencionados, em que o Cruzeiro perdeu pontos, aí sim, cabe afirmar: neles, a infelicidade dos juízes foi determinante.


Quando o nível dos “apitadores” é tão ruim, e o clube se sente prejudicado com recorrência – e não de maneira isolada -, faz-se imprescindível a reclamação. Não com ofensas, acusações desmedidas e insinuações pouco responsáveis, despidas das provas necessárias. É importante, apenas, mostrar a realidade do que aconteceu em campo, registrar. Revelar a injustiça, deixar claro como os erros vêm acontecendo, desnudando o papel que eles podem ter no certame serve, inclusive, para tentar melhorar o problema da arbitragem. Vale também para “marcar território”, apresentar uma posição oficial do clube – e nada disso com o intento de intimidar, de induzir que, no futuro, na dúvida, algo seja dado para o Cruzeiro, numa eventual “compensação”; simplesmente, para a instituição apresentar o zelo que tem com ela mesma, com sua atividade, evidenciando que se sentiu lesada e que algo injusto vem se repetindo.


E para esclarecer: não acredito, mesmo, que estas injustiças sejam premeditadas, intencionais.

Compartilhe:
  • Print
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Orkut
  • PDF
  • RSS
  • email

Cruzeiro empata com Criciúma e Galo supera o Palmeiras: a rodada em que a arbitragem prejudicou os mineiros. E a tabela “lógica” do Brasileirão

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 23 comentários


Cruzeiro empata com Criciúma e Galo supera o Palmeiras: a rodada em que a arbitragem prejudicou os mineiros. E a tabela “lógica” do Brasileirão


- Se olharmos, hoje, a tabela do Brasileirão, veremos algo raro: nas seis primeiras posições, não necessariamente na ordem, as seis principais forças do campeonato – pelo menos na minha opinião. Para ficar totalmente “certinho”, faltou apenas o Santos se juntar ali a esse grupo, formando o pelotão dos sete candidatos mais qualificados para título e G-4. Digo que algo nessa linha é incomum pois, quase sempre, alguém com status de favorito – ou algo próximo disso -, decepciona pra valer, e fica lá embaixo. Nesse sentido, é pouco usual vermos um campeonato tão “lógico” assim.


- No sábado, mais uma vez, o Cruzeiro foi prejudicado pela arbitragem. Dois gols invalidados de forma equivocada – e dizer que os lances foram parados antes de a bola entrar, é detalhe “menor”, é preciosismo insensato; pelo desfecho que teriam, pelas circunstâncias das jogadas elas contam, sim, como tentos anulados – pelo menos na essência, no mais importante.


A Raposa não brilhou. Mas, para mim, também não fez partida ruim. E jogou melhor do que o oponente. Fez o suficiente para vencer. Parou, portanto, no apito “inimigo”.


- O Galo, no domingo, também foi injustiçado pelo juiz. Pênalti claro de Tobio em Luan não anotado.


O alvinegro mereceu o triunfo. Jogou consideravelmente melhor do que o Palmeiras. Mais posse de bola, mais chances. Superior na criação e, consequentemente, autor de um número maior de finalizações. Pode não ter sido espetacular. Mas apresentou boa consistência. Pelo menos neste confronto, convenceu. Sobretudo pelo volume. Precisa, entre outras coisas, para melhorar ainda mais, errar menos passes e caprichar na hora de decidir – momento da finalização ou daquela assistência que coloca o companheiro para arrematar.


- E você, o que achou da rodada dos mineiros?

Compartilhe:
  • Print
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Orkut
  • PDF
  • RSS
  • email

Cruzeiro: favorito, principal adversário e tática

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 36 comentários


O Cruzeiro segue como principal favorito. O Fluminense, muito interessante taticamente, hoje, é o adversário mais perigoso.


Cruzeiro: favorito, principal adversário e tática


Em colunas recentes, afirmei que o Cruzeiro é favorito para conquistar o Nacional – na verdade, antes de o Campeonato começar, já colocara a Raposa como principal candidata. Também disse que, atualmente, Corinthians, Inter e Fluminense são os adversários mais perigosos que, a priori, o clube celeste terá na luta pelo título. Mantenho todas essas opiniões. Cruzeiro destacado da turma como postulante principal à glória maior, e as três agremiações mencionadas num segundo plano, logo atrás, nesse rol dos favoritos. Acho que, agora, porém, dá para posicionar o tricolor carioca um degrauzinho acima dos seus outros dois “companheiros de trio”.


Logo após a Copa, imaginava-se um Fluminense com a seguinte formação base, do meio para frente: Jean e Cícero de volantes; Sóbis, Wagner e Conca na linha de armadores; Fred como centroavante (Walter seria opção). Com o gordinho mais famoso do futebol ainda mais pesado, e com Fred retornando aos poucos, depois do Mundial, Sóbis foi adiantado, voltou a atuar de centroavante, e Cícero passou a integrar o trio de meias, com Valencia entrando como volante. Com qualquer uma das formações citadas, convenhamos, é uma equipe muito forte ofensivamente. Jean e Cícero, juntos, como volantes, formam dupla daquelas exemplares. O primeiro, nunca foi cabeça-de-área típico, camisa 5 brucutu; sempre foi segundo volante de qualidade. O último, então, nem se fala. É meia de origem, mais ofensivo e talentoso do que aquele chamado “volante que sai para o jogo”. Nesta escalação, o Flu – guardadas as proporções – seria o time brasileiro mais próximo de seguir aquela tendência do futebol mundial top de volantes que possuem bom passe, técnica considerável, que não se limitam a destruir. Mais: contemplaria também, com Cícero, o fenômeno – mais específico, menos popular – dos armadores que andam virando volantes (Schweinsteiger, Kroos, Modric, e até Xavi, são os exemplos clássicos). Contudo, mesmo com Valencia, o talento, o dinamismo, e a ofensividade continuariam acima da media. E Cícero, como meia, também agrega muito.


Se o Fluminense faz jus aos louvores por sua postura tática – e deve-se exaltar o ótimo trabalho de Cristovão, dos mais promissores treinadores da nova geração, sobretudo por ser daqueles raros que parecem ter conceitos mais condizentes com o que se pratica nas grandes escolas de futebol hoje -, o Cruzeiro, então, nem se fala. Montando um esquadrão dinâmico, ofensivo, também com volantes leves e de qualidade, Marcelo merece praticamente só elogios. Como curiosidade, porém – e não crítica -, diria o seguinte: gostaria de ver a Raposa sem centroavante fixo, jogando com um “falso 9”, sem que Goulart seja a opção para ser esse homem mais adiantado. Afinal, sem ele no meio, vindo de trás, o Cruzeiro perde muito.

Compartilhe:
  • Print
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Orkut
  • PDF
  • RSS
  • email
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 ... 96 97   Próximo »