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Triunfo do errado

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 13 comentários



Educação, estudo e erudição: no futebol brasileiro, para muitos, são defeitos mortais…



Triunfo do errado



No futebol atual há uma onda criada por supostos puristas, autoproclamados verdadeiros entendedores, contra qualquer discurso tido como “tático”. Muitas vezes, mecanismo de defesa para quem não enxerga as estratégias e inconscientemente usa esse escudo da agressão. Quase sempre, uma manifestação anti-intelectual, uma espécie de “grosseria” fantasiada de outra coisa qualquer. Claro, dá certo em grande medida. O simplório costuma ter bastante apelo.



Estranhamente, ainda que qualquer gancho aparente inexista, frequentemente essas críticas são associadas – ou contribuem para uma dedução mal feita – à tese de que, qualquer conhecimento demonstrado de futebol europeu, automaticamente indica “babação de ovo” dos gringos e torcida para times do Velho Continente. Na mesma “lógica” arbitrária e surreal, esses arautos “acusam” sem qualquer embasamento determinadas pessoas de serem “jogadoras de videogame” e usuárias assíduas do google. Por fim, nesse mesmo tipo de discurso, costuma-se torcer o nariz aprioristicamente para qualquer envolvimento teórico, acadêmico – “nunca jogou!” – e até para diferentes tipos de refinamento, serenidade, sabedoria – “treinador precisa gritar, chutar a porta!”.



Exemplo prático: basta o comentarista dizer que determinada equipe joga no 4-2-3-1 e mencionar qualquer informação sobre o futebol do exterior para, automaticamente, a patrulha aqui analisada passar a acreditar que o jornalista em questão é jogador de Playstation, menino de apartamento, bajulador da Premier League e torcedor, sei lá, do Manchester United.



Eu mesmo, unicamente por citar o esquema de conjuntos diversos, já fui colocado em listas de comunicadores do delineado perfil. E digo a vocês: até moro em apartamento e gosto do Campeonato Inglês – não num patamar exatamente peculiar, elevado, longe de qualquer patologia –, mas odeio videogame, não tenho nada parecido com isso em casa e não torço por QUALQUER time do exterior. Longe disso. Não estou nem aí para eles. Diria também que, para os patamares atuais, uso pouco o Google – fiz nessa ótima ferramenta uma pesquisa para descobrir quais seriam os patamares atuais.



Só gosto de futebol e de pesquisar sobre minha profissão. Em Manchester, em Ipatinga. Na Champions, ou em um clássico tupiniquim. E não: não vejo QUALQUER problema em torcer por QUALQUER time – daqui, da China, de nona divisão da Escócia – e em ser exímio praticante e entusiasta do futebol de joystick. Só não é a minha.



Por que trato esse tema? Parece bobagem? Sim. Mas não é. Se tudo ficasse nessas críticas infundadas, pueris, e sem consequências concretas, tudo bem. Mas não é o que ocorre. Já vi diversas vezes treinadores educados, inteligentes, capacitados, acima da média nacional taticamente – Alexandre Barroso, Condé, Marcelo Oliveira, para ficar em exemplos locais, como gosta a turma “purista” (eufemismo aqui para outra coisa) –, sendo ridicularizados e ficando de fora de lobbies que existem no mundo da bola justamente pelas qualidades que possuem. Dirigentes, torcedores e jornalistas defensores da tese nesse espaço combatida direta e indiretamente cometendo injustiças com essas pessoas.



Outro exemplo? Exclusão de acadêmicos, teóricos de debates criados com o objetivo de discutir a crise do futebol brasileiro; afastamento dessas pessoas de determinados cargos nos quais poderiam ser peças fundamentais nesse choque de realidade que nosso esporte bretão precisa, unicamente pelo preconceito arrolado.



Quem grita, não tem diploma, fala errado, adora palavrão – eu gosto, em certo sentido –, detesta futebol europeu, “só jogou”, é “meio tosco”, tem de ficar de fora de algo, sofrer discriminação a priori? Claro que não. Pode entender e agregar muito. Mas o contrário, EXATAMENTE da mesma maneira, não pode acontecer.

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Segregação e falta de emoção

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 110 comentários



Na Copa América, a tão alardeada elitização do futebol, realidade no Brasil, marcou presença.



Segregação e falta de emoção



A torcida do Chile impressionou na Copa do Mundo do Brasil. Quando cheguei à Santiago, no cotidiano, em cenas comuns da vida das pessoas, longe do ambiente do futebol, o amor pela seleção era percebido facilmente, latente. Pelo número de camisas, bandeiras, adereços, menções; pelas conversas; pelo jeito de se referir a La Roja: as palavras, a entonação, a veracidade do sentimento escancarada na maneira de discursar.



Logo, somando-se essas coisas, a expectativa para o primeiro jogo dos donos da casa na competição continental que acompanharia in loco era de que o espetáculo das “arquibancadas” seria fervoroso, emocionante, pulsante. Pois então… Não foi o que aconteceu. Chile x México. Segunda rodada. Um dos melhores jogos da Copa América. Eletrizante. 3 a 3. E o estádio, digo a vocês, estava algo entre o comum e o morno; apenas um pinguinho acima do desanimado. Bem parecido ao que se vê hoje, infelizmente, no Brasil.



Na hora, pela lógica, por dedução, pelo feeling de quem acompanha e pensa muito sobre esses temas, concatenei o diagnóstico: “isso deve ser pelo preço dos ingressos. Bilhetes inflacionados, restritos aos mais privilegiados; não necessariamente, acessível aos mais apaixonados.” Pesquisando com fontes variadas a respeito do tópico, essa leitura inicial mostrou-se correta. Jornalistas locais, ex-jogadores, torcedores fanáticos, até um vendedor de uma loja espetacular de camisas raras de futebol, sujeito extremamente apaixonado pelo esporte bretão e com ele envolvido: consultei todas essas pessoas – e mais algumas. E a unanimidade para explicar a frieza do estádio, da atmosfera no espetáculo – incondizente com a vibração da própria cidade, naquele momento, com a seleção –, foi a mesma.



Evento grande no país. Muita mídia. Hype em cima da competição. Ir às “arenas” vira questão de status. De ver e ser visto. De tirar aquela selfie para postar “nas redes”.



Há toda uma gama de fatores que, para os pesquisadores do assunto, provam todos os fenômenos citados. Mas no dia desse jogo a que me refiro aqui, quiseram as circunstâncias que eu vivesse algumas situações, presenciasse alguns exemplos muito emblemáticos desse quadro social que assola hoje o futebol.



Atrasado para o jogo passei os primeiros 20 minutos do duelo dentro de um taxi, devidamente ornamentado com uma TV portátil – lógico, sintonizada na partida. Segundos antes da parada que me deixaria no meu destino, gol de empate do Chile. Eis então que uma hecatombe invade o veículo. O motorista abandona qualquer decoro e encarna, sei lá, o Caixa na defesa espetacular que consagrou o São Victor. Indescritível. O cara não estava NEM AÍ para a presença do passageiro. Nunca, nem em festas populares, na rua, em dias de título mundial, vi alguém tão mexido com sua seleção.



Antes do tento inaugural dos chilenos, a tensão, o envolvimento, a semiloucura do “meu condutor” já era uma quase certeza. Gemidos, atenção total na tela – longe do trânsito… Fora o simpático taxista, no trajeto, nas avenidas, repito, já com o jogo em andamento, sinais de fanatismo pela seleção eram tão frequentes quanto acentuados. Em qualquer semáforo em que parávamos alguém perguntava o resultado, o tempo de jogo, quem tinha feito o gol do México, o que estava acontecendo… E de novo, na expressão facial, entregando completa exasperação.



Na descida do táxi, antes de entrar no estádio, dei uma volta nos arredores e tive o “golpe final” no impressionismo: quase um arrastão de fãs me cercou perguntando quem tinha feito o gol do Chile. No frisson da coisa, até passei a informação errada – algo que só percebi depois de bons minutos já dentro da “arena”!



No entorno do palco principal, nobre, um verdadeiro fenômeno social. Multidões. Comida improvisada. Sujeira. Pessoas simples. “Se matando” por cada imagem, cada frame dos televisores improvisados. Gritaria, loucura…



E dentro do estádio, justamente no lugar do jogo? Frieza. Indiferença. Ar blasé. De normalidade.



Quem mais gosta, quem mais faz questão, estava “de fora” da festa. Mas, felizes da vida, acabavam, sem perceber, festejando mais do que quem estava dentro do baile, do que os convidados, do que os teóricos aficionados.

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O que é uma geração ruim?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 149 comentários



A geração não é a ideal. Mas com Dunga convocando…



O que é uma geração ruim?



Bem antes da última Copa das Confederações, defendia a tese de que a geração brasileira de jogadores era fraca. Porém, como em quase toda adjetivação, é preciso, aqui, algum cuidado. Em função da subjetividade. Afinal, o que seria exatamente uma safra ruim? O que se quer dizer com isso? Com colocações nessa linha o desejo é mostrar que as opções, num sentido comparativo, levando-se em conta nossas altas tradições, estão abaixo do esperado, do que estamos acostumados? Ou, literalmente, cravar que as alternativas são, em termos absolutos, realmente de nível técnico insatisfatório?



Há um ruído nesse tipo de comunicação. Vejo jornalistas falando de geração ruim para cá, de safra pouco brilhante para lá, frequentemente sem deixarem claro o que querem passar exatamente com essas opiniões. Usualmente, parece que esses comunicadores estão concordando entre si, simplesmente por utilizarem versões distintas da tese, da expressão “geração ruim”, sem, no fundo, estarem, de fato, em sintonia – por um acreditar que a safra é literalmente “um lixo”, ou algo ligeiramente melhor do que isso, e o outro pensar que ela é, “apenas”, abaixo do que estamos habituados.



Para mais uma vez deixar clara a minha versão: acho a geração ruim, sim. Mas apenas isso. Não é péssima. Acho ruim num sentido de não ser o suficiente para nos colocar entre os melhores elencos do mundo. Argentina, Alemanha e Espanha têm jogadores, hoje, superiores. Mas ponto. Sem exageros. Tirando esse trio, penso que o Brasil estaria, na teoria, numa briga em ótimas condições com outras boas seleções, abaixo apenas das três citadas. Holanda, França… O escrete canarinho, diante desses adversários, se vê em igualdade, num patamar bem parecido, numa espécie de “empate técnico”.



Clareando ainda mais: o “meu dizer” “geração ruim” serve até para, em certo sentido, frear determinada arrogância nacional quando se trata de futebol. Para termos pé no chão e concluirmos que derrotas para esses três países citados como os “maiorais” de agora seriam mais do que normais – óbvio, sem vexame –, e que reveses contra os holandeses, os franceses, noves fora um desempenho avassaladoramente ruim, seriam totalmente “do jogo”, plausíveis; digamos que, contra estes, o Brasil não seria favorito – mas também não o contrário –, e que contra a citada “trinca de ouro”, mais uma vez, a priori, a “amarelinha” estaria um pouco abaixo; entretanto, não o suficiente para tornar um eventual triunfo “nosso” um absurdo, um milagre; sequer uma surpresa. A distância não é tão grande assim.



Agora, se a geração é ruim – não péssima –, há algo que, para mim, estranhamente, vem sendo pouco abordado: Dunga convoca e escala mal. Ou seja: em campo, na prática, por ele ser infeliz nas opções, a safra parece pior do que é na realidade. Para mim beira o inconcebível que, podendo levar Lucas, do PSG, sequer convocado, e Felipe Anderson, da Lazio, também fora do grupo oficial, um treinador escolha, para funções similares, Fred, Douglas Costa e Firmino. E vejam: não é apenas uma opinião pessoal. Se fizerem uma pesquisa entre treinadores qualificados, torcedores antenados, jornalistas bem informados, do mundo todo, com a pergunta “Lucas ou Fred (do Shakhtar)?”, diria, sem medo de errar, que numa amostragem de 100, sequer cinco fariam a mesma opção que Dunga. Trata-se de algo meio inquestionável.



Em textos vindouros, complemento com outros exemplos de eleições nada inspiradas do professor cebeefiano para o grupo de atletas e o esquadrão titilar.



Resumo da ópera: a geração não é a ideal. Mas, feitas as devidas escolhas, não é essa tragédia toda. Com Dunga nomeando equivocadamente, aí sim, a “aparência” da equipe piora muito.

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Eles amam mais do que nós – e a segregação no futebol

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 59 comentários



Impressionante: o brasileiro, se compararmos com os rivais, não está nem aí para a seleção.



Eles amam mais do que nós – e a segregação no futebol



Na Copa do Mundo do ano passado, nas idas e vindas que a cobertura pela rádio Itatiaia me proporcionou, três torcidas me chamaram atenção positivamente – todas elas, sul-americanas: a chilena, a colombiana e a argentina. A primeira, pelo volume avassalador de pessoas do país que se encontrava no Rio para a partida diante da Espanha na primeira fase, e sobretudo, pelo comportamento impecável dentro do Maracanã nesse mesmo duelo. Em todos os sentidos, os apoiadores de Sampaoli engoliram os amantes daquela que chegava com status de atual campeã do planeta. Quantitativamente, qualitativamente… O momento do hino, especialmente, foi de arrepiar, algo muito fora do normal.



Os colombianos, por sua vez, não passaram nada despercebidos em função de algo que, para mim, foi pouco discutido na época da Copa enquanto fenômeno sociológico: beirava o inacreditável a onipresença de cidadãos desse país Brasil afora durante o período do mais importante dos certames. O nível de disparidade com relação à concorrência nesse aspecto era tão grande que impossível era abordá-lo como algo aleatório. Tratava-se, conforme ventilei, de uma manifestação oriunda de um traço de um povo; algo que se entrelaça com a cultura deste. Em aeroportos, nas ruas de qualquer cidade – inclusive BH –, o número de camisas da Colômbia era tão superior ao das outras seleções que esta “competição” ganhou ares de campeonato alemão: os súditos de Falcão Garcia eram o Bayern de Munique, 500 pontos na frente logo com 10 rodadas disputadas; bem abaixo do Mandachuva, a léguas do título, uma briga de foice no escuro com doses cavalares de mediocridade pelo vice.



Nossos Hermanos, por fim, conhecidos pela fidelidade sempre demonstrada aos seus clubes de coração, referências no quesito “conduta apaixonada” dentro dos estádios, me despertaram curiosidade especial não por manifestações ocorridas nas Arenas Padrão FIFA – de corrupção ou excelência? Nos dias anteriores à final diante da Alemanha, o que se via na praia de Copacabana era comovente. O panorama tinha certo quê de praça de guerra – não no mau sentido, já que feridos inexistiam e a violência não era marcante; pelo número de pessoas espalhadas, sem estrutura, sem dinheiro, sem qualquer conforto. Gostem ou não, abandonando o juízo de valor, a quantidade absurda de indivíduos dispostos a fazer um esforço homérico para ver a seleção, mesmo para quem não gosta de futebol, há de aguçar alguma curiosidade sociológica/antropológica.



Na Copa América, basicamente, todas essas observações estão sendo confirmadas. O número de colombianos no Chile, os gastos deles nos shoppings locais confirmam que, longe de algo “avulso”, o que ocorreu no Brasil era a materialização de um atributo do povo: a disposição, o hábito de viajar para acompanhar o selecionado local. Os donos da casa, dentro dos estádios, não me impressionaram como naquela tarde no Maraca – e isso passa pela segregação que abordarei em breve com mais cuidado; mas em compensação, no jeito de falar, agir, no cotidiano dos chilenos, detecta-se um amor gigantesco pela seleção. A respeito da Argentina, nessa parte sociocultural, ainda não tenho muito a dizer. Messi e cia não estiveram em Santiago, onde passei a semana passada.



E por fim, também carimbada, confirmada está a constatação que há anos venho fazendo, e que agora, talvez, tenha atingido seu ápice – e mereça estudos: em termos comparativos, tendo como base a comoção dos rivais continentais, o brasileiro não está NEM AÍ para a sua seleção.

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Quem é aquele cara?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 85 comentários



Se Douglas Costa, Firmino e esse Fred aí passarem no centro de qualquer cidade grande brasileira, serão contemplados com a lembrança de que são “meros mortais”.



Quem é aquele cara?



No jogo Brasil x Colômbia, na Copa América, vivi uma experiência diferente. In loco, acompanhei à partida no meio da torcida – e não na área de imprensa. O objetivo era colher impressões, experimentar sensações que ajudassem a entender, a fortalecer a fundamentação de algumas teses que, há algum tempo, tenho compartilhado por aqui – ligadas ao lado cultural, comportamental do futebol; ao em torno, à filosofia, à antropologia da coisa. Durante toda a semana, na cobertura da competição continental, fiz outros trabalhos de apuração nessa linha, comparando condutas, buscando apreender as diferenças de relação que povos diversos têm com suas seleções e com o esporte bretão em geral. Aos poucos, nesse espaço, vou “desovando” o resultado dessas pesquisas.



Voltando à partida de quarta, à melancólica, à ridícula atuação da seleção Dunguista, devo dizer que, afirmar que assisti ao confronto entre os adeptos, seria o mesmo que cravar: “vi o duelo junto aos colombianos.” A disparidade favorável à “torcida deles” era descomunal. Algo entre “90 x 10”. O que previa em textos anteriores ao choque entre essas seleções, na prática, aconteceu: a turma do país de James Rodríguez está em peso no Chile e, na linha do que já abordei em outros contextos, tem hábito absurdamente espalhado, acentuado de viajar para apoiar o selecionado local. Já o amor pelo escrete cebeefiano…



Antes do apito inicial, fiz amizade com um casal que estava sentado ao meu lado. O cara, boa praça, mostrava ótimo nível de conhecimento futebolístico. E, ao longo do cotejo, nas perguntas que fazia a mim, em algo simples, um sintoma, diria, com bom nível de representatividade, sobre nosso futebol, nosso momento – embora seja necessário, em algumas acepções, relativizar seu peso, seu “valor” enquanto “problema”: o time brasileiro está repleto de coadjuvantes; de peças desconhecidas; de jogadores “sem sal”, comuns. De burocratas da bola.



Meu “amigo da hora”, ainda no primeiro tempo, me indagou: “quem é o 11? Qual o nome do goleiro? Quem é aquele ponta?” Em suma: uma pessoa que vive intensamente o esporte mais popular do planeta, que consome informação sobre a modalidade, que tem amor por ela a ponto de queimar suas suadas economias para viajar com o único intuito de acompanhar um jogo – ele me assegurou que era o caso, e que estaria “ferrado” por um bom tempo pela “extravagância” – não conhecia Roberto Firmino, Fred, Douglas Costa, Jefferson, Tardelli – antes que os “malas de um lado” surjam, ressalto “convocando” também os “inconvenientes” do outro: ele não identificaria Éverton Ribeiro…



Pescando conversas da galera que estava próxima, questionamentos nessa linha eram realizados o tempo todo. E notem: os simpáticos colombianos não diziam essas coisas com o mínimo de arrogância. Pelo contrário. Até por inércia, pela história, mantêm boa dose de reverência e respeito pela camisa pentacampeã. O bafafá, a incredulidade pelo anonimato dos componentes de um esquadrão usualmente composto por estrelas, eram banhados por genuína curiosidade; rolava até algum “medo” de estar dando má nota, de estar “passando o recibo” de um desconhecimento “condenável”. Tipo: “será que o problema é comigo”? Nessa esteira, tranquilizei alguns: “não se preocupem: se Douglas Costa, Firmino e esse Fred aí passarem no centro de qualquer cidade grande brasileira, não serão reconhecidos”.

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