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Dê sua opinião sobre os momentos de Atlético e Cruzeiro

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 72 comentários



Dê sua opinião sobre os momentos de Atlético e Cruzeiro
 



Queridos leitores… O blog entra em período de férias e retorna no dia 23 de Fevereiro. Continuarei lendo as mensagens, moderando os comentários e respondendo a alguns deles.



Dependendo dos acontecimentos, posso passar por aqui em caráter excepcional para escrever um novo post.



Enquanto isso abro o espaço para vocês debaterem sobre Atlético e Cruzeiro, para darem suas opiniões. O que estão achando do começo de ano dos gigantes de Minas?



Será legal me manter atualizado sobre a temperatura nas duas maiores torcidas do estado por meio das discussões e das visões de vocês, leitores a quem devo o sucesso deste espaço. Abraço!

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Mais uma virtude do novo professor

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 213 comentários



Apesar da vitória apenas “ok” sobre o Rio Branco, e do empate contra o Criciúma, Deivid mostrou ótimos presságios…



Mais uma virtude do novo professor
 



Para o bom entendedor de tática, mais importante do que o conhecimento teórico de todos os aspectos que cercam cada sistema estratégico, mais relevante do que a posse de certas convicções, de preferências interessantes nessa área – por exemplo, a predileção por determinado esquema que se mostra em geral, a priori, promissor, moderno –, é a compreensão acertada a respeito dos jogadores do elenco; a capacidade para ler as qualidades de suas peças e, de acordo com elas, optar por uma maneira de jogo que extraia das mesmas o máximo, o melhor possível. Nada substitui o talento…



Nesse início de trabalho Deivid tem mostrado, em todos os quesitos citados, ótimos presságios. Ao falar da sua filosofia futebolística, em todo instante, apresenta bom conhecimento e conceitos atraentes. Desnuda, também, alto grau de atualização. Quando chegou a dizer que seus sistemas favoritos são o 4-3-3 e o 3-4-3, que prefere equipes que propõem o jogo, controlam a posse, ditam as regras dos confrontos – em detrimento dos esquadrões que gostam de apostar prioritariamente no erro do oponente, atuando em transição, esperando em demasia o inimigo em seu campo – e, mais do que isso, ao contextualizar, ao explicar essas posições com profundidade, conhecimento de causa, o ouvinte que adora estudar a parte estratégica do esporte bretão ficou, seguramente, com boa impressão do novo treinador. Entretanto, os sinais positivos não pararam por aí e não se limitaram ao discurso.



No amistoso do Cruzeiro contra o Rio Branco, e na estreia dos celestes pela Primeira Liga, o time entrou em campo no 4-2-3-1. Henrique primeiro volante; Cabral segundo homem; na linha de três meias, Marcos Vinícius pela esquerda, Alisson pela direita e Arrascaeta centralizado; na frente, Willian Bigode. Muita gente ficou surpresa com esse posicionamento do conjunto. Afinal, Deivid citara outros dois esquemas como os que mais gosta, conforme mencionei. Ademais, se levarmos em conta que o trabalho de Mano deu certo, e que nele Deivid tinha boa participação, por diversas razões poder-se-ia apostar que existiam grandes chances de ele escolher uma formação bastante inspirada naquelas propostas pelo professor gaúcho (4-1-4-1 e 4-4-1-1, ambas quase sempre com três volantes, ainda que Willians fizesse bastante o papel de meia pela direita). Até aqui, não foi o caso.



Por que então avalio que tudo isso denota traços interessantes do comandante azul? Simples… Porque ele mostrou jogo de cintura, boa sensibilidade para observar e apreciar seu plantel, dinamismo, flexibilidade para, a despeito de ter outra preferência, em termos de esquema, não ficar amarrado a ela, elegendo outra forma de se posicionar em campo para promover os talentos, aproveitar da melhor maneira possível as peças corretas para este instante inicial. Claro que o futebol é dinâmico e muita coisa pode mudar ao longo do ano. Mas hoje Deivid enxerga – ouvi isso do próprio treinador, em excelente papo que tive com ele, no qual aprendi bastante – que para atuar no 4-3-3, o Cruzeiro deveria ter um volante num estilo similar ao de Elias, ao de Paulinho (que passou pelo Corinthians); um cara versátil, que atua de modo vertical, funciona como elemento surpresa, tem capacidade de se infiltrar. Ele tem nessa visão, no mínimo, um bom ponto, um pensamento plausível.



Além disso, e principalmente, o treinador acerta – sobretudo nesse instante no qual os argentinos ainda estão chegando, se adaptando – na vontade de reunir no time titular Willian, Alisson e Arrascaeta, ao tentar fazer o todo funcionar com Cabral de segundo volante, e ao não tentar utilizar como meia um marcador de talento limitado (como Mano fazia com Willians). Considerando o elenco celeste e as circunstâncias que envolvem suas peças hoje, a única maneira de contemplar tudo isso é escolhendo o 4-2-3-1. Mas várias partes de todo esse cenário podem se transformar. Em breve, explico como e por quê.  

 

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Quando a burrice é bem-vinda

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 177 comentários



Nesta semana, muitos dirigentes mostraram um despreparo descomunal. Ainda bem…



Quando a burrice é bem-vinda


Não fosse a CBF uma instituição tão repleta, histórica e atualmente, de pessoas ligadas a atos de baixíssimo nível em termos morais, o despreparo que os coronéis da entidade têm mostrado seria digno de pena. Poucas vezes a frase “há males que vêm para o bem” esteve tão perto de ser verdade no futebol brasileiro.


Desde o início, a Liga fez muito mais sentido pelo lado simbólico, político, como embrião de uma ruptura, uma dissidência, do que esportivamente – até em função de um calendário tão repleto quanto estúpido, criado, adivinhem… Pela CBF, óbvio. Entretanto, para vários que compartilham dessa opinião, o caráter errante da trajetória dessa nova competição passou a desanimar. Pairava no ar uma dúvida a respeito do real vínculo desse possível sopro de ar puro em meio à atmosfera chinesa que perpassa a organização do esporte bretão tupiniquim justamente com o que há de mais retrógrado na área, com o que, essencialmente, nos trouxe à paupérrima realidade atual. Não foram poucos os momentos nos quais a Liga parecia se importar demais com a CBF, cortejá-la em demasia, depender acima de qualquer benevolência da sua aprovação.


Pois então… Exatamente quando a aura de rebeldia – na melhor das acepções – que cercava o torneio se mostrava bem menos presente do que outrora poderíamos supor, quando muitas cabeças pensantes da nossa mídia esportiva, embora ainda seguissem apoiando a Liga, o fizessem com menos empolgação e esperança, eis que… A Ferj “ceebefiou”. Ou seria a CBF que “ferjou”? Pouco importa. Ambas as alternativas valem e, como diria o outro, a “ordem dos fatores não altera o resultado”. Fato é que, em dois atos deploráveis, essas duas entidades, em erros grotescos – do ponto de vista ético, do que seria melhor para o nosso futebol, mas até para os interesses escusos e mesquinhos dessas (des) organizações –, reacenderam a chama de certo idealismo. E nem é que os dirigentes dos clubes que formam a Primeira Liga estejam se mostrando o suprassumo da coragem, do intelecto, da honradez – tampouco o contrário; é que simplesmente tudo foi tão mal conduzido por determinados cartolas do arco da velha que ficaria feio demais, acima do ridículo, seria uma tacanhez além de qualquer caricatura, qualquer figura de linguagem, caso os dirigentes da Sul-Minas-Rio enfiassem seus respectivos rabos entre as pernas e acatassem, sucumbissem diante dos arroubos ditatoriais das benditas instituições mencionadas.


É além do surreal a CBF sequer vislumbrar que poderia, legalmente, ter o poder de impedir os clubes de “ir e vir”, de jogarem quando bem entenderem – podem tergiversar o tanto que quiserem para dizer que não era isso que deveria ser retirado da negativa divulgada pela entidade na segunda-feira; mas, no frigir dos ovos, no fundo, essa conotação, ainda que não estivesse ligada ao impulso da decisão em si (que seria qual? Burrice pura e simples?), poderia claramente ser apreendida como um tentáculo da medida em tela. É cômico, uma imperícia descomunal a Ferj acreditar que retirando tanto dinheiro do Flamengo não geraria tanta reação e/ou não teria MUITA sarna pra se coçar. Mexer com a torcida do Flamengo? Sério?


No fim das contas, os atos atabalhoados dessas entidades – uma combalida, a outra nocauteada – deram novo fôlego, em diferentes acepções, à Primeira Liga, tanto no que se refere à realização e à empolgação com o certame, em si, quanto no que tange ao simbolismo por trás do torneio. E, mais do que isso, renovaram o espírito de revolução no futebol brasileiro de maneira mais ampla, angariando, inclusive, novos membros para a causa. Mais sobre tudo isso em breve.

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Ah, se fosse no Brasil…

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 208 comentários



Até pelo que já observei nas arquibancadas do futebol brasileiro, estou curioso para ver a reação da torcida celeste neste sentido…



Ah, se fosse no Brasil…


O Tiki-taka foi a forma de jogo mais celebrada dos últimos dez anos. Não é para menos. No mundo das seleções, Espanha e Alemanha acabaram campeãs do planeta com esse estilo – a Fúria também se mostrou pela primeira vez digna do apelido em termos continentais, conquistando duas edições da Euro consecutivas. No âmbito dos clubes, o Barcelona da era Guardiola se tornou um dos melhores esquadrões de todos os tempos – e até hoje, inspirado de alguma maneira naquela época, mantendo certa base, aproveitando determinada estrutura, aparece dominante, numa espécie de trajetória continuada, unida àquela que começou com o genial treinador catalão. Falando justamente do atual comandante do Bayern de Munique, não devemos esquecer: sempre apoiado na filosofia estratégica aqui analisada, muito por causa dela, se consagrou, com folga, como o grande técnico de sua geração; um dos mais especiais da história. Para finalizar a enumeração dos fatos que escancaram o predomínio deste sistema que valoriza os passes curtos, o controle do oponente, das ações, destaquemos a própria equipe citada da Baviera, que, escorada nessa maneira de atuar, vem destruindo os concorrentes em seu país, e se mantendo, nas últimas temporadas, ao lado dos dois gigantes espanhóis no top 3 planetário.


O que eu vou dizer aqui é algo que já reparo há muito tempo, e que, de passagem, abordei em certas partidas nas quais trabalhei como comentarista. Pelo fato de o Cruzeiro, com seu novo e promissor treinador, estar dando pinta de que vai adotar o tiki-taka como modelo, seu estilo, vale destacar o tema com mais cuidado. É impressionante como no futebol brasileiro – já vi esse fenômeno em duelos de Atlético, da Raposa, do América, de times de outros estados… –, a despeito da veneração que existe com relação à proposta de jogo em tela – muito por merecimento, mas bastante também pelo velho e bom complexo de vira-lata (afinal, apesar de os elogios serem justos, inúmeras vezes eles partem de arautos que sequer sabem do que estão falando, e entram na onda unicamente pela “imponência” da coisa, pela tendência ao comportamento de rebanho, e em função de o objeto de apresso se atrelar a instituições famosas, gringas, badaladas) –, as torcidas têm pouquíssima paciência para a troca de passes frequentemente cerebral, num ritmo cadenciado, com o intuito de esperar o instante correto de avançar. É óbvio que o tiki-taka não se limita aos toques pouco objetivos na metade defensiva do campo; em alguns instantes, porém, tal comportamento faz parte do pacote desse tipo de abordagem. Será curioso ver como a China Azul vai reagir, no Mineirão – onde deu show no ano passado –, quando seu escrete estiver eventualmente perdendo e, mantendo convicção no seu plano de jogo, viver esses momentos de paciência no toque de bola, sem chutões, sem mudar a chavinha para o “modo vertical, de transição”. Tomara que tenha calma e compreensão. Seria inteligente assim proceder. Afinal, o tiki-taka é eficiente, fascinante, e o técnico celeste merece voto de confiança total.


E antes que digam: “você está comparado com o Bayern, com o Barça?” Ou: “se fosse com Iniesta, Xavi, e se ganhasse tudo, claro que o povo aqui teria paciência!” Não se trata disso. Não entro no mérito qualitativo; óbvio que os melhores times da Europa vivem outra realidade se tivermos como objeto de comparação o cenário clubístico tupiniquim. Falo unicamente de estilo, o que, até dando os devidos descontos, é algo passível de paralelos, analogias, a despeito da disparidade técnica. E claro que conquistas dão um gás na benevolência das massas. Mas, de novo, o que analiso nesta coluna vai além e independe, em boa medida, dos talentos individuais em campo; passa, claramente, por uma palpável impaciência e incompreensão de futebol, que levam os adeptos a cornetarem e se perderem em ansiedade insensatamente com qualquer ínfimo vestígio de toque de bola calmo, ainda que este aconteça à frente do meio-campo.

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Possibilidades táticas e de escalação no Galo

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 195 comentários



Giovanni Augusto fora? E Cazares, onde jogará?



Possibilidades táticas e de escalação no Galo


Durante sua passagem pelo Internacional, na temporada passada, Diego Aguirre escolheu, quase sempre, o 4-2-3-1 como o sistema tático da sua equipe. No trio de meias, o uruguaio costumava escalar, pelo centro, D’Alessandro – homem com fortes traços de armador clássico; pelos lados, Sasha e Valdívia – atletas mais agudos, verticais, carregadores de bola.


Desde os tempos de Cuca, o Galo tem adotado, na maior parte do tempo, o esquema citado no primeiro parágrafo. Como a equipe deu certo em 2015, neste exato desenho, e o atual comandante gosta bastante deste formato, houve a união da fome com a vontade de comer: dificilmente, no começo das competições deste ano, o alvinegro mudará sua distribuição em campo. Entretanto, analisando outras preferências de Aguirre, vejo no horizonte a perspectiva de termos aqui em Minas algumas discussões estratégicas interessantes, bem como determinadas decisões que podem surpreender muitos torcedores.


Levir Culpi chegou a utilizar Dátolo em diferentes partes do meio-campo. Como uma espécie de segundo volante, no 4-1-4-1 ou no 4-4-2 à inglesa; como o arquiteto central no 4-2-3-1; o argentino também executou, em diversas oportunidades, o trabalho de meia-atacante pela ponta canhota. A priori – é claro que isso pode depender de circunstâncias distintas, pode mudar ao longo dos meses, e está longe de ser ciência exata –, Aguirre não parece vislumbrar a possibilidade de posicionar Dátolo como um cara que joga pelas beiradas. Pelo histórico demonstrado no Internacional, por algumas declarações concedidas à imprensa – uma delas como treinador do Atlético –, e pelas escalações escolhidas na Florida Cup, o novo técnico atleticano – ao contrário de Levir, mais aberto nessa seara – dá sinais claros: na sua filosofia, os “pontas” que compõem a trinca de armadores do 4-2-3-1 devem ser, na definição já transmitida acima, agudos; no termo adotado por Tite, “agressivos”; velozes, dribladores, com perfil de atacantes de lado. O uruguaio não mostra tendências claras de, como outros professores, estar facilmente suscetível à ideia de selecionar um meia mais clássico, cerebral, passador, lento, para ocupar uma das beiradas, na parte de armação da equipe.


Quando chegou a Belo Horizonte, Cazares se disse aberto à possibilidade de atuar pela ponta, mas definiu-se, claramente, como um “enganche”, ou seja: destacou que, como meia pelo centro, rende melhor, se sente mais à vontade. Na temporada passada, Giovanni Augusto foi dono absoluto dessa posição no Galo. Tendo em vista que, conforme apontado, Aguirre enxerga Dátolo como um arquiteto mais cerebral – e como tal, de acordo com sua filosofia, deve atuar, prioritariamente, por dentro –, e não como um futebolista para lutar por vaga com Thiago Ribeiro, existem chances claras de o comandante alvinegro enxergar-se numa posição em que teria de escolher apenas um entre três nomes: Cazares, Dátolo e Giovanni Augusto. Como Luan é absoluto na direita, e Pratto inquestionável lá na frente, na ponta canhota a briga seria entre Hyuri e Thiago Ribeiro.


Por que tudo isso é digno de menção e pode surpreender? Porque em termos de nome, status, badalação, a maioria das pessoas imaginava uma equipe com Giovanni Augusto e Cazares juntos, e, em meio a tantas alternativas, talvez enxergasse que Thiago Ribeiro e Hyuri correriam por fora, estariam entre os menos cotados. Entretanto, pelas preferências táticas que carrega, nos moldes salientados; em busca do encaixe para seu conjunto de acordo com sua filosofia, Aguirre pode deixar um, ou até dois – caso escolha Dátolo – queridinhos da massa de lado, e agraciar com a titularidade outro jogador não tão festejado assim – pelo menos até agora.

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