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Mano à la Ancelotti?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 159 comentários


Possíveis inspirações para Mano escalar Thiago Neves e Arrascaeta juntos…


Mano à la Ancelotti?


Capixaba, Leonan, Jesiel, Wilson: alguns dos destaques do Atlético na Florida Cup. Mas de toda a turma que viajou aos Estados Unidos, quem mais me encanta é Diogo Giacomini. Como é bom com ele conversar de futebol! Efetivá-lo como auxiliar permanente foi um grande acerto da diretoria. Se Roger é um dos melhores do Brasil na sua função, Giacomini me parece o companheiro ideal para o novo técnico alvinegro. Além de ambos serem perfeitos exemplares de uma nova safra de comandantes que privilegiam o estudo, o intelecto, e tratam o “vamos lá” apenas como o complemento que ele deve ser, há uma sintonia filosófica entre esses dois profissionais; gostos, visões parecidas. Propor, controlar, posse de bola; jogo tático, programado com riqueza de detalhes; saída da defesa sem chutões, com o primeiro volante se infiltrando entre os zagueiros para qualificar o passe desde lá de trás; e por aí vai…


No final do ano passado, papeando com Giacomini, comentei a respeito do livro “A Pirâmide Invertida”, de Jonathan Wilson – lançado no Brasil pela Grande Área e brilhantemente traduzido por André Kfouri (que há havia contribuído com a mesma editora, também de maneira impecável, escrevendo o prefácio de outra obra essencial, “Guardiola Confidencial”). O título lembrou o auxiliar do Atlético do livro “Minha Árvore de Natal”, escrito por Carlo Ancelotti. Nele, o italiano descreve e analisa as vantagens do seu sistema mais idiossincrático: o 4-3-2-1, aplicado por ele no Milan, pela primeira vez, na temporada 2002/2003, quando a equipe rossonera bateu o La Coruña por 4 a 0. Pouco depois dessa interlocução, recordei-me da passagem na qual Wilson, no seu “A Pirâmide…”, aborda o esquema apregoado pelo atual treinador do Bayern de Munique nos tempos de Itália. Eis o principal trecho sobre o tópico: “Sob o comando de Carlo Ancelotti, o Milan é o melhor expoente do 4-3-2-1 no século XXI, com uma formação muito mais ofensiva que a da seleção francesa. Kaká e Clarence Seedorf eram os meio-campistas avançados, com Andrea Pirlo atuando como regista atrás deles, ladeado por Gennaro Gattuso e Massimo Ambrosini. Mas a chave era a fluidez: tanto Pirlo quanto Ambrosini podiam jogar ofensivamente, e Seedorf sabia fazer um papel mais defensivo”.


Com a contratação de Thiago Neves, fiquei me perguntando se Mano Menezes iria escalá-lo entre os titulares ao lado de Arrascaeta. Se tivermos em mente o 4-2-3-1 que os celestes utilizaram ano passado, a posição mais obviamente compatível a esses dois atletas é a mesma: armador central na linha de três meias. Mas será que um deles poderia ser deslocado para o lado esquerdo – já que Robinho, absoluto, vinha fazendo com maestria o flanco direito? Mano já declarou que não enxerga o uruguaio como peça prioritariamente de beirada. Afinal, no sistema em tela, os dois jogadores de ligação abertos precisam recompor no momento defensivo, e ao executar este labor, de acordo com o técnico da Raposa, Arrascaeta acaba prejudicado em suas principais qualidades. Será que Thiago Neves, então, poderia ser esse cara a ser, digamos, adaptado? Talvez. Pelo baixo nível técnico, o Mineiro poderia ser utilizado para testar essas opções.


Em meio a essas considerações, tive um clique: quem sabe, com a mesma escalação que considero a ideal, o Cruzeiro não possa funcionar no 4-3-2-1, no esquema conhecido como “árvore de natal”? Neste caso, ao invés de atuar como um meia bem aberto pela direita, Robinho seria ligeiramente recuado, sustentando o meio-campo ao lado de Henrique e Romero – coloco aqui o time da minha preferência, não o que acho necessariamente o mais provável. Com isso, Arrascaeta e Thiago Neves, que jogariam à frente desta trinca de volantes, teriam obrigações menores de marcar. Rafael Sóbis, nos meus “onze de gala”, seria um “falso 9”, o cara mais adiantado.

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Sujo falando do mal lavado

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 187 comentários


Antes de chamarem certos técnicos de ultrapassados, muitos jornalistas deveriam fazer uma autocrítica…


Sujo falando do mal lavado


Muito se fala de técnicos ultrapassados no nosso país. Em vários aspectos, essas figuras se apoiam, ganham sobrevida em função de um ambiente, uma espécie de cultura anti-intelectual ainda forte no Brasil. Curiosidade: muitos comunicadores que apontam o dedo para condenar a desatualização de um Joel Santana, um Vanderlei Luxemburgo, são os mesmos que reputam como “frescura” diversas tentativas inteligentes, corretas de aprofundamento na abordagem do futebol. Nesta esteira, para a aceleração, a concretização de certos progressos no meio do esporte bretão tupiniquim, a evolução da imprensa e do público pode ter papel importantíssimo.


Escrevi recentemente sobre a dificuldade que muitos jornalistas possuem de entender minimamente os sistemas táticos utilizados pelas equipes – algo notável, inclusive, na forma com que divulgam as escalações. Quando falava com Tinga, novo gerente de futebol do Cruzeiro e grandíssima figura, na semana passada, sobre as estratégias de Antonio Conte no Chelsea, me veio à mente uma nova questão: além de aprenderem a detectar, a se informar a respeito dos esquemas, estes arautos da mídia precisam criar o hábito de transmitir ao espectador o esqueleto, o desenho das equipes com, e sem a bola. Afinal, dentro do que se faz hoje na modalidade mais popular do planeta, levando-se em conta o comportamento de grande parte dos conjuntos, a diferença de posicionamento do todo nas duas fases básicas de cada confronto – ofensiva e defensiva – vem se mostrando tão ampla, definida, e cada um desses estágios tão claramente delineados, programados, que se torna impossível se referir a só um sistema para cada esquadrão.


O próprio Chelsea atual é exemplo cristalino desta tendência. Decanta-se bastante que o time joga no 3-4-3. Com a posse, de fato, os blues têm atuado assim – dá para falar também em 3-4-2-1. Contudo, quando defendem, fica tão escancarada a mudança da estrutura para um 5-4-1 que, para a compreensão devida da estratégia pensada, para defini-la, não é nada recomendável se ater a só um esquema.


Em texto publicado aqui há duas semanas analisava como algumas ideias com quê de vanguardistas, elogiadas na Europa, mas populares no Velho Continente a ponto de estarem em vias de se tornarem bastante comuns, teriam dificuldades de penetração no Brasil – culpa do conservadorismo que se atrela ao ranço anti-intelectual citado. Também nesta seara o líder da Premier League serve como caso concreto/referência de manual para elucidarmos o argumento. No 3-4-3 que varia para o 5-4-1 nos moldes explicitados, Moses é o ala pela direita. O jogador sempre foi conhecido como peça ofensiva – um meia-atacante agudo, incisivo, de muita velocidade, para fazer o lado do campo. Pois então… Em comunhão com a multiplicidade de funções que convém ao futebol moderno, se com a posse Moses ataca bastante, sem ela o nigeriano ocupa simplesmente a linha mais defensiva da equipe. Isso mesmo que você leu: o Chelsea, no momento defensivo tem, fechando o flanco direito, ao lado dos três zagueiros e do outro ala, um meia-atacante de origem – não como um auxiliar de lateral; neste momento, ele é o próprio, o principal e mais recuado responsável pela marcação por aquele canto… Se um técnico faz algo assim em Minas seria chamado de quê? Professor Pardal, claro…


E o que dizer de Azpilicueta, sempre lateral – até com boa vocação ofensiva –, transformado por Conte em zagueiro – algo similar fizera Guardiola no Bayern com Alaba? Mano Menezes experimentou artifício deste tipo contra o Grêmio, na semifinal da Copa do Brasil – jogo de ida, Mineirão, só no segundo tempo, com Edimar. O time ficou uma bagunça. Mas não pelo fato de a ideia, em si, ser “invencionismo”, “loucura”; o problema esteve no comportamento atabalhoado do lateral celeste – que se mandava para o ataque exageradamente esquecendo que tinha virado zagueiro. E na época, noves fora a maioria que nem percebeu a tentativa estratégica ainda inovadora no Brasil, proporcionalmente, entre os que algo declararam, muitos criticaram Mano pelo motivo errado…

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Campeonato dos sonhos

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 97 comentários


Um campeonato que une o dinheiro, o glamour, a organização da Europa, com a emoção, o equilíbrio do Brasil…


Campeonato dos sonhos


O Campeonato Inglês já se consolidou, há alguns anos, como o Nacional mais interessante do planeta. São inúmeros os elementos que concedem ao certame esse status tão especial. Ritmo intenso, frenético; viradas, jogos que nunca acabam; ligações com a cultura, a música do Reino Unido – ah, o United entrando em campo sempre ao som de This is the one; o Kasabian que ecoa confronto sim, duelo também, no estádio do Leicester; a voz de Liam disparando Roll With It com frequência assim que o juiz apita no Etihad Stadium (…) –, espécies distintas de laços com o tradicional, o regional – isso sem deixar de ser a mais globalizada das disputas; uma aura que, não apenas por meio do palpável – pelo contrario: aqui o intangível exerce enorme papel, exalando sensações, edificando imagens e sentimentos sem “fundamentação” concreta, explanável facilmente num discurso claro de constatação/fato/causa e efeito –, une um aspecto cool à sensação de emoção viva, vibração de verdade, futebol pegado – sem cair num culto ao jogo ruim, burocrático, pobre, muitíssimo pelo contrário; enfim… É difícil explicar.


Para bom entendedor, contudo, é inquestionável: o Campeonato Inglês tem personalidade, character, alma, características bem próprias. E para tudo melhorar, o fenômeno se retroalimentar, todas as promos, toda a “venda” do produto apreende e transmite, esparge estes traços de complexa expressão – e até compreensão própria; sabe quando experimentamos, somos afetados e não conseguimos concatenar, organizar os motivos do encantamento para nós mesmos (ou às vezes nem nos damos conta de que fomos arrebatados, para começo de conversa)? Como diria Schopenhauer ou meu amigo/professor Assis Brasil: a música tem o poder de comunicar o que as palavras não alcançam; não por acaso, estas peças publicitárias apoiam suas belezas, suas potências, seus impactos, em grande medida, no cânone do bom rock tradicional e do indie britânico.


Numa perspectiva mais objetiva, um dos principais atributos da Premier League: a competição junta o que existe de melhor no futebol Europeu em termos de organização, logística, desenvolvimento, estrutura, com um nível de competitividade, imprevisibilidade e equilíbrio que lembra o do Brasileirão – ao contrário do que se vê em Espanha, Itália, e Alemanha, o número de postulantes ao título não é restrito a dois, três concorrentes. E se este panorama já reinava há algumas boas temporadas, num passado mais imediato se firmou de modo mais claro; a divisão de receitas da televisão é tão justa, exemplar que, em todos os estudos feitos avaliando as finanças dos clubes mundo afora, o que se vê é uma multiplicação de ingleses dominando as listas: gigantes da terra da rainha costumam ladear com Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e, vá lá, uma Juventus da vida, um ou outro intruso, no topo; e, imediatamente abaixo destes suspeitos de sempre, e de mais alguns grandes do Velho Continente, a diferença substancial: pequenos e médios ingleses também possuem cofre invejável, robusto; a discrepância em relação às potências é bem menor do que nos outros centros.

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Será possível no nosso futebol anti-intelectual?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 311 comentários


Muitos times da Europa têm recorrido a ideias táticas que, no Brasil, seriam vistas como “frescuras”, “invencionismos”.


Será possível no nosso futebol anti-intelectual?


Em todos os segmentos, o que vira moda, tendência, mesmo num sentido mais amplo, e atingindo indivíduos e setores representantes de uma espécie de lugar-comum, costuma passar por um processo interessante: o que é da vanguarda, do intelectual, do artista, do hipster, do especialista, do estudioso, hoje, estará, provavelmente, no imaginário coletivo do populacho, do simplório, do medíocre, do “artista”, amanhã. Quer dizer… “Ano que vem”. E, invariavelmente, repaginado, piorado; como diria o outro, “orkutizado”; formando um todo que, em diferentes acepções, é utilizado, apresentado um tanto sem gosto, tato, conteúdo – ou, por surgir fora de hora, apesar da semelhança com a inovação, produzindo resultados bem díspares.


Aquilo que nasce num país particularmente avançado em determinada área, dentro de um nicho ainda mais qualificado nos limites de sua fronteira, viaja para nações menos antenadas e atinge primeiro aqueles que se mostram razoavelmente avançados para estes padrões não tão elevados, para aquela realidade local. Depois de um tempo, os bolsões menos qualificados no universo deste lugar, muitas vezes, acabam tomados por aquela faceta que não é mais novidade.


A camisa de flanela do grunge e, especialmente, de Kurt Cobain, sai da cena indie, chega aos editoriais de moda americanos, viaja para os shoppings brasileiros, até um dia aterrissar nos palcos barangos do sertanejo universitário. A calça skinny e alguns tipos de bota aparecem com um Alex Turner da vida, talvez um Pete Doherty – ou quem tiver pegando a Kate Moss na época –, um Josh Hartnett, e trafegam por vias similares – assim como aconteceu com o corte de cabelo do líder do Arctic Monkeys, imitado por jogadores de futebol e cantores sertanejos sem que estes sequer conheçam a fonte original. Recursos de gravação de música desvendados pelos Beatles nos anos 60 são chupados e vendidos como grandes sacadas por produtores de pastiches tupiniquins – não somente – meio século depois; argumentos e ideias da alta literatura invadem as entrevistas de diretores de blockbusters rasos – me recordo recentemente de ouvir uma fala de um realizador deste tipo alegando que a maior qualidade da sua obra passava pela multiplicidade, pela complexidade psicológica dos personagens, que não seriam óbvios, unidimensionais (claro que, a despeito da pompa de Proust, de Machado de Assis, na arenga do produtor, a fita, em si, não nos brinda com nada disso; tudo preto, branco, clichê; nada de cinza). Calças rasgadas, jaquetas de couro de um Velvet Underground ou, anos depois, de um Strokes; corte moptop atualizado, tênis Adidas casuais e parkas, certos tipos de jaquetas envergadas pelos irmãos Gallagher do Oasis e outros integrantes da Cool Britannia nos anos 90; enfim… Os exemplos são infindáveis.


No futebol costuma ser assim. O Brasil já foi pioneiro e/ou ao menos antenado em termos táticos. Há alguns anos, não mais. O 4-2-3-1, epidêmico no nosso país em temporadas recentes – começou a se consolidar por aqui por volta de 2012 –, já era extremamente comum na Europa há cerca de 10 anos, numa estimativa segura; o 4-1-4-1 nos moldes popularizados por Tite em nosso território foi inspirado, segundo ele mesmo, no que exibia a seleção da França durante a preparação para a Copa de 2014 – e esta esteve longe de exatamente criar este tipo de recurso.


Por longo período, o sistema mais popular no Brasil foi o 4-4-2 que, com dois volantes, dois meias, e dois homens de frente, poderia ser nomeado 4-2-2-2. No futebol profissional de alto nível tupiniquim, já não se vê times atuando assim numa quantidade minimamente notável há um bom tempo. Ainda assim, boa parte da torcida – não há problemas graves nisso – e da imprensa “especializada” – aí sim, o buraco é mais embaixo –, segue enxergando o futebol dessa maneira; com a viseira que impede de descobrir a realidade e, automaticamente, por inércia/desconhecimento, condiciona a leitura dos times como se eles assim tivessem montados, distribuídos em campo – no jeito de divulgar as escalações, inúmeros repórteres entregam essa limitação claramente, mesmo sendo “desmentidos” por colegas e personagens da bola quase diariamente.


Acompanhando há seis anos a Copa Itatiaia profissionalmente, noto uma curiosidade: na várzea, não se vê 4-2-3-1, 4-1-4-1; treinadores seguem empacados no 4-4-2, seja no formato específico descrito acima, ou na sua versão 4-3-1-2 – com três volantes e um armador, como Luxemburgo amava e o Cruzeiro ganhou tudo em 2003. A Europa tem vivenciado, com Conte, Guardiola, Klopp, Thomas Tuchel, e alguns outros, um período de renovação, inquietação nas maneiras de jogar. Muitas delas, porém, estão repletas de ideias, facetas que, em nosso futebol profissional atrasado em termos criativos, de estudo, e atolado em ranços anti-intelectuais, seriam alvos de crítica – “loucura”, “Professor Pardal!”. Será que um dia chegarão/serão aceitas por aqui? Mais em breve…

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Novo sistema tático da moda? Novo técnico queridinho?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 340 comentários


Movimentos recentes sugerem nova “revolução” tática e novo integrante no panteão dos técnicos mais venerados…


Novo sistema tático da moda? Novo técnico queridinho?


Futebol se ganha no meio-campo: uma das máximas de Guardiola. Recentemente, o catalão repetiu um pensamento que pregoara logo no começo de sua ascensão como treinador: bendito o dia em que conseguirá escalar uma equipe com onze meio-campistas. A ideia passa, entre outras coisas, pela crença no passe enquanto fundamento chave para a construção/controle do jogo. O bom meio-campista, na sua visão, é obrigatoriamente um bom passador. Por essa razão, o anseio por um esquadrão formado apenas por eles. Óbvio que o único – comprovada e indubitavelmente – técnico genial em atividade não quer ser interpretado de maneira literal com a frase citada acima. Guardiola sempre venera, por exemplo, os pontas, o drible. A necessidade da verticalidade no terço final. O que seria de um Xavi sem um Messi? Aliás, no papel de grande mentor dos dois, Guardiola enxerga o segundo, o atacante – e não o meio-campista – como o melhor de todos os tempos.


Enquanto intelectual/estrategista da bola, Guardiola sempre variou muito seus sistemas – e sempre minimizou a importância destes na compreensão da essência, do jogo, em si. No Barcelona, apesar de ter optado diversas vezes por um 3-4-3, adotou o 4-3-3 como uma espécie de esquema base, como aliado fiel na obsessão por dominar o centro do campo e controlar as ações. A dinâmica do trio central – nos melhores períodos, na escalação mais clássica, Busquets, Xavi e Iniesta – fazia com que, invariavelmente, sua equipe tivesse superioridade numérica diante de adversários com apenas dois volantes e armadores descolados demais das disputas por espaço no coração do campo. Mas o futebol evolui, as coisas mudam…


Na Copa do Mundo de 2014, se assanhava como tendência a volta das formações com três zagueiros. Nada do decantado – no Brasil – 3-5-2. O que víamos nos gramados, na maior parte do tempo – faço essas ressalvas porque comuns eram as variações dos esquemas das equipes de acordo com as fases do jogo –, era um 5-3-2. Veio a Euro de 2016 e a Itália de Antonio Conte – que já usava este sistema na Juventus – chamou atenção de muita gente com um 3-4-3 – que sem a bola, se transformava em 5-3-2. Emblemático foi o confronto das quartas, quando a Alemanha, superior tecnicamente, elogiada taticamente, e encarnação mais próxima no mundo das seleções, naquele momento, da filosofia de Guardiola – até pela influência que este, já no Bayern, teve no futebol do país –, saiu do seu desenho tradicional para espelhar a Azurra. Não foi o “menor” que se adequou ao bicho-papão: foi o contrário. Discordo desta decisão específica de Joachim Löw. Não acho que, ali, ele deveria ter mudado para espelhar a Itália. Independentemente disso, foquemos na mensagem da escolha…


Agora no Chelsea, Conte conquistou, no último final de semana, a 11ª- vitória consecutiva na fortíssima Premier League. É líder com folga. É o técnico da moda. Mas o início da trajetória na terra da rainha, quando tentou atuar com uma linha de quatro atrás, não foi bom. Dado impressionante: justamente quando mudou para o adorado 3-4-3, a coisa passou a funcionar. A primeira partida da série de triunfos mencionada foi a primeira com este sistema. Desde então não o abandonou. E não perdeu. Quer dizer: sequer empatou. Resultado disso? Não apenas Conte recebeu status de “professor” do momento; o 3-4-3 que vira 5-3-2 sem a bola, sua marca, sua teoria, sua “menina dos olhos”, se transformou no esquema “tendência” da temporada.


O ponto mais alto desta trajetória fulminante dos blues de Londres? A vitória por 3 a 1, fora de casa, em cima do City de Guardiola. E o mais emblemático? O catalão, que vinha utilizando quase sempre o 4-1-4-1 como sistema primordial, cedeu: neste jogo, mudou para um 3-4-3 para espelhar o escrete de Conte. E eu, que tinha discordado de Löw por trocar para se adequar ao outro – e adoro tanto o Guardiola… Pelo menos tive o que pensar – é importante dizer: esta vitória do Chelsea foi bem peculiar, bastante enganosa; o City dominou o jogo quase todo; e claro que nem sempre discordo do ato de se reinventar para “espelhar”: depende bastante das circunstâncias. Ainda assim…


Em suas versões mais qualificadas e vanguardistas, nos centros mais avançados, em termos táticos, do futebol, qual o grande motivo por trás desta opção pelo 3-4-3 nos moldes escolhidos por Conte – é bom destacar este ponto; afinal, há versões bem mais simplórias do mesmo sistema/dinâmica (até Givanildo, no América, chegou a jogar assim)? Tirar uma peça da linha de quatro defensiva para colocá-la no meio – sem perder os pontas; superioridade numérica no centro –, onde o jogo é decidido. Não é este, desde sempre, um dos intentos principais de Guardiola? Mais em breve.

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