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Injustiça nas cotas de TV

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 103 comentários


É inconcebível que Atlético e Cruzeiro recebam “apenas” R$ 60 milhões cada, enquanto a dupla de queridinhos abocanha R$ 170 milhões.


Injustiça nas cotas de TV


Divisão das cotas de TV: um dos assuntos mais controversos do futebol brasileiro nos últimos anos; um dos tópicos que mais abastecem de argumentos aqueles torcedores que vociferam contra o suposto “eixo” Rio-São Paulo, teoricamente sempre beneficiado, historicamente amigo do poder. Não é para menos. O formato atual é, claramente, bastante injusto.


Para quem concorda comigo, vale torcer para a proposta do deputado federal Raul Henry (PMDB-PE) ser aprovada. Já em fase de conclusão na Câmara, a ideia dele é que seja adotado um sistema parecido com o da Premier League inglesa. 50% da receita passariam a ser divididos igualmente entre as equipes; 25% seriam repassados de acordo com a classificação do time na temporada mais recente do campeonato em questão; para completar, a média do número de partidas transmitidas no ano anterior seria o critério utilizado para a distribuição dos 25% restantes.


Muita gente, querendo posar de “crítico”, “corajoso”, “livre”, gosta de demonizar a detentora dos direitos. Não é por aí. Discordo de várias coisas no nosso calendário. Detesto a escolha dos horários. Mas se, de fato, a TV tem sim sua parcela de culpa nessas mazelas, digamos que o quinhão dos clubes é maior. Pela subserviência. Pela carência de cartolas intelectualmente capacitados e bem informados para saberem quais brigas devem ser compradas, para terem noção do que deve ser proposto. Por esse marasmo de coragem, interesse e inteligência, acaba ficando tudo por isso mesmo. Sem radicalismo, sabendo ceder na hora certa, com bom senso, e aptidão para o diálogo, tenho certeza de que os mandachuvas das nossas agremiações seriam bem logrados numa eventual tentativa de mudança.


Ademais, lembremos que, se a televisão é quase coadjuvante na materialização desses problemas arrolados, mostrou-se protagonista, fundamental em diversas melhoras ocorridas no esporte bretão tupiniquim nos últimos 15, 20 anos. A consolidação do certame por pontos corridos; um caráter de previsibilidade e continuidade na organização de cada ano; sequência, manutenção; podemos não estar no melhor dos mundos, podemos não viver um panorama panglossiano, mas quem conhece a história do futebol brasileiro, sabe: até a década de 90, tudo era completamente varzeano; o planejamento era impossível; canetadas e exemplos deploráveis de dirigentes que mudavam regras em cima da hora, a seu bel-prazer, proliferavam. Fora que, lembremos, as quantias recebidas pelos clubes na venda dos direitos de TV cresceu bastante, tornou-se indispensável para a reestruturação de alguns, para a mera sobrevivência de outros.


É inconcebível que – conforme vai acontecer na temporada 2016, de acordo com a negociação individual de cada clube com a Rede Globo – Atlético e Cruzeiro recebam R$ 60 milhões cada, enquanto o Flamengo abocanha R$ 170 milhões (assim como o Corinthians). Está errado. É um crime contra a justiça, uma aberração no nosso esporte. Mas para mim, as equipes lesadas nessa seara chiam pouco e, mais do que isso, chiam mal.


Volto ao tema – tão complexo quanto palpitante – em breve.

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