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Ótima escolha

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 78 comentários



Para evitar confusões, acho interessante fazer uma espécie de retrospectiva “das minhas opiniões sobre Mano”.



Ótima escolha


Existe um tipo razoavelmente comum de torcedor que eu chamaria de “fiscal de coerência”. Trata-se daquele adepto que, por meio dos canais de interatividade da Internet, mandam mensagens – que não escolhem em geral profissionais específicos, chegam a todos – acusando jornalistas de não terem mantido, num comentário, a mesma linha adotada numa intervenção anterior. Invariavelmente, porém, esses arautos sequer ouviram o que foi colocado no passado, ou mostram aquela profunda incapacidade de interpretação, infelizmente corriqueira num país de educação paupérrima. Para evitar um mal-entendido com esse “nicho”, e principalmente por um zelo próprio pela clareza, pela correção, pela honestidade intelectual e, por que não, pela coerência, faço um apanhado aqui do já disse sobre Mano Menezes.


A carreira do gaúcho, do início de sua trajetória no interior de seu estado, ao fim de sua primeira passagem no Corinthians foi, em certo sentido, perfeita. Nenhum deslize. Trabalhos claramente positivos, indiscutivelmente vencedores, sem arranhões. No Timão e no Grêmio, sobretudo, dentro desse período, esteve muitíssimo bem.


Na seleção, ainda no começo de um projeto, sofreu algumas críticas, principalmente pela queda nos Jogos Olímpicos. Nessa época, se tinha algumas discordâncias com relação ao trabalho de Mano na “Amarelinha” – normal, ninguém é dono da verdade –, considerava que era cedo para desmerecer seu papel na equipe da CBF. Acima de tudo, seguia avaliando-o como um dos melhores treinadores do país. E lembremos: sua demissão foi injusta e aconteceu no instante em que ele parecia estar ajeitando nosso escrete.


Quando o técnico já estava no comando do Flamengo, continuei, por um período, elogiando-o com veemência. Recordo-me de defendê-lo solitariamente – já que os integrantes do debate daquele dia não mostravam apreciar o profissional aqui avaliado, a meu ver, injustamente – após um jogo do rubro-negro contra o Atlético, numa discussão em um programa do qual ainda faço parte. Ficara bem impressionado com o que ele havia feito numa equipe extremamente limitada, desfalcada; apreciara, naquela partida, mas não somente, a proposta moderna de seu esquadrão, a marcação pressão exercida no campo do inimigo, aplicada com qualidade raramente encontrada por aí. Alguns telespectadores, nessa época, até nos mandavam mensagens inteligentes, engraçadas, sem juízo de valor para qualquer uma das partes envolvidas, me chamando de “louco pelo Mano”, entre outras coisas nessa linha.


Por não ter gostado da maneira como o gaúcho terminara sua trajetória no Rio – ainda acho aquele episódio em que este disse que seus jogadores não estavam compreendendo o que ele queria passar um tanto enigmático –, e por ponderar que sua segunda passagem no Corinthians não foi a ideal, cheguei a ficar, digamos, na dúvida sobre o que verdadeiramente achava de Mano. Entrei numa espécie de crise de consciência com relação a este assunto. Será que aquele cara que eu sempre estimara realmente era bom como pensava? Cheguei a flertar com o que poderia ser chamado de “decepção”. Cheguei a criticar estes seus dois trabalhos mais recentes, especificamente.


Nem sempre o jornalista deve ter julgamentos imperiosos, taxativos, definitivos, na ponta da língua. Ao mesmo tempo, qualquer profissional, qualquer treinador, por melhor que seja, pode ter seus momentos de oscilação.


Passado algum tempo depois da segunda vez de Mano no Timão, refletindo, entre “prós e contras”, ainda o tenho em alta conta. Como pessoa e técnico de futebol. Para mim, o Cruzeiro acertou na sua escolha. E na próxima coluna, explico por quê.

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Levir, Osorio e falta de controle

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 133 comentários



Pode não parecer, mas as falas de Levir e Osorio estão intimamente interligadas.



Levir, Osorio e falta de controle


Levir Culpi disse, há algum tempo, que não há grandes times no Brasil. Segundo ele, existem bons elencos, bons jogadores; mas faltaria, no futebol tupiniquim, um esquadrão com sentido coletivo altamente aguçado. Um conjunto que una entrosamento e consistência para merecer adjetivos fortes, convictos, enquanto equipe mesmo, na acepção da palavra. No fundo, o treinador atleticano tem razão. Quem mais se aproxima disso em âmbito nacional, na minha visão, não por acaso, são os três líderes da Série A: Corinthians, Galo e Grêmio.


O técnico do São Paulo, Juan Carlos Osorio, em entrevista recente à Folha, deu um diagnóstico interessante do nosso cenário clubístico. De acordo com o colombiano, no Brasil, se atua “sem controle do jogo, mas com emoção”. O comandante tricolor, nessa fala, foi certeiro, cirúrgico.


Pode parecer, inicialmente, que essas duas opiniões não possuem grande ligação entre si. Na verdade, porém, não poderiam estar mais conectadas.


Em geral, a capacidade para se mostrar um conjunto altamente afinado, consistente, que funciona coletivamente em sintonia fina, de maneira reiterada, rodada após rodada, está ancorada à aptidão de controlar o jogo; de impor um estilo perante o adversário.


Normalmente se associa controle da partida, das ações, a um estilo de posse de bola. Com correção. Ressaltemos, contudo, que é possível, sim, dentro de uma filosofia calcada no contragolpe, na velocidade, na intensidade, na objetividade para procurar o gol inimigo, apresentar uma solidez tal, um dom tão claro para repetir e impor essa estratégia com frequência altíssima que, no fim das contas, mesmo sem a redonda no pé na maior parte do tempo, fique claro que o sucesso de determinada equipe não é obra do acaso; que há ali um aspecto coletivo verdadeiramente acentuado, e que, à sua maneira, esse esquadrão se impõe e controla o seu rival.


Tanto Levir, quanto Osório – talvez por humildade, para não soarem arrogantes, para evitar polêmicas, não comprar brigas com colegas de profissão –, não vincularam os quadros que pintaram ao baixo nível dos treinadores que temos, em geral, no Brasil. Nenhum dos dois mencionou a baixa qualidade tática que costuma reinar nos nossos gramados. Cabe lembrar que os dois já disseram até, mais de uma vez, que há muitos ótimos treinadores no nosso país; o técnico alvinegro, inclusive, já defendeu que não há atraso tático por aqui. Embora não compactue exatamente com o clichê cada vez mais proliferado que generaliza tanto a ruindade em nossas terras, como uma suposta excelência disseminada no futebol europeu, penso que, algum atraso, no âmbito tático, em comparação com grandes centros do Velho Mundo, existe. Mais do que isso: tenho convicção de que, tanto a inexistência de grandes times (no sentido coletivo), preconizada por Levir, quanto essa incapacidade de controlar, destacada por Osorio, são indissociáveis, são intimamente ligadas, justificáveis pelo baixo nível dos trabalhos de nossos treinadores na parte tática.


A carência de tempo para os técnicos executarem um trabalho, a pouca continuidade que predomina em nossos clubes, claro, tem peso nisso – e Levir coloca esse ponto como principal explicação para a sua teoria que citei na coluna. Entretanto, mesmo descontado esse fator, para mim, a falta de padrão, de beleza enquanto conjunto que nossos times mostram, sobrepuja, e muito, apenas a questão do imediatismo de nossos dirigentes.


Chutões, ligações diretas, oscilação exagerada; falta de compactação, de passes curtos, jogadas trabalhadas; o fato de que tudo parece aleatório demais, pouco cerebral, programado, feito com pouca consciência; de que nossos jogos são um Deus nos acuda – emocionantes, muitas vezes; mas de pouco brilho enquanto espetáculo tático, técnico e de domínio estratégico; este é o panorama de quase todos os duelos da nossa primeira divisão. E sim: ele está atrelado à pobreza do trabalho de boa parte dos nossos treinadores na formação de seus times.

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O papel da sorte e o esporte pouco intelectualizado

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 121 comentários



Por e-mail ou por resposta na própria seção de comentários, boa parte das mensagens do post anterior foi respondida. Abraços a todos e obrigado pela participação!



Chama atenção a incapacidade da maioria dos times brasileiros de controlar o jogo. Isso é falta, principalmente, de um trabalho tático de qualidade.



O papel da sorte e o esporte pouco intelectualizado


No filme “Match Point”, Woody Allen usa um lance clássico do tênis – aquele em que a bola bate na fita da rede e, por milímetros, por detalhes imperceptíveis, minúsculos, pode passar para o outro lado, ou não – como metáfora para falar do poder que a sorte tem na existência humana. O acaso, o aleatório, as miudezas, as coincidências que permeiam as sequências de eventos de nossas vidas; o estar no lugar certo, na hora exata; o atraso, o erro que termina salvando; enfim… A despeito da clareza com que essa verdade se desnuda, materializa-se, comprova-se a cada instante, o homem ainda costuma ter sérios problemas para reconhecer que, das mais sutis e intricadas maneiras, o imponderável, o que foge do nosso controle, da razão, da meritocracia, usualmente possui força para mudar destinos, influenciar o resultado prático, o sucesso de diferentes decisões, assegurar o predomínio da felicidade ou da miséria em um cotidiano qualquer – e também, no caso do filme, assim como no de “Crimes e pecados”, ambos claramente inspirados na obra de Dostoievski, decretar qual será o fim entre a liberdade e a prisão.


Se a vida, o mundo já possuem esse vínculo tão forte e profundo quanto sorrateiro, sutil e muitas vezes de difícil compreensão, com o acaso, a sorte, o esporte não é diferente. E, entre todas as modalidades, o futebol é campeão disparado no quesito “submissão ao imponderável”. O engraçado é que o uso de lugares-comuns como “o futebol é uma caixinha de surpresas” – entre variações de outras falas que expressam, essencialmente, coisas parecidas –, banalizados em discursos realmente de baixíssimo nível intelectual – proferidos pelos protagonistas dessa arte fascinante, mas infelizmente afundada em um poço quase sem fundo de despreparo educacional e cultural –, apesar de exprimir, em algum sentido, verdades interessantes, importantes, profundas, dignas de discussões cuidadosas, acaba deixado de lado justamente por ter se tornado – em várias acepções, com justiça, correção – símbolo das insossas, paupérrimas entrevistas dos boleiros e dos comentários frequentemente repetitivos, simplórios da mídia esportiva.


Nos Estados Unidos, os três esportes mais populares – futebol americano, baseball e basquete – são infinitamente menos amigos das zebras e de qualquer tipo de oscilação, de “saídas do script”, do que o nosso querido “beautiful game”. Por características essenciais destas modalidades, sim. Mas também por uma maneira de os profissionais delas encararem seus ofícios. Com mais dedicação, seriedade, estudo, aprofundamento. O futebol americano, por exemplo, ainda visto apenas como bruto, tosco, animalesco por muita gente em terras tupiniquins, envolve uma quantidade bem maior de preparo intelectual, influência da tática, do que o nosso soccer.


Mesmo com suas características, com o pacto quase diabólico com o sobrenatural de Almeida que carrega desde sempre, o esporte bretão pode, porém, em determinado aspecto, se tornar mais “controlável”, “programático”, “seguro”. Desde que haja trabalho árduo, capacidade intelectual e talento para a construção de conjuntos afinados, com um labor tático aguçado, mais profundo do que o normalmente visto nesta modalidade. Por aí, pela aptidão para impor um estilo diante do adversário, controlá-lo, tornar a conquista e o jogo menos aleatórios, passa o maior diferencial de Guardiola – e não pelos resultados considerados estritamente; tampouco pelo lado artístico da coisa. Nessa esteira, chama atenção como o futebol praticado pelos times brasileiros, em geral, apresenta índices baixíssimos de consistência, regularidade, imposição coletiva, repetição de performance rodada após rodada. Aqui, tudo oscila demais; está, além da média do futebol europeu, por exemplo, entregue ao aleatório.


Mais sobre o tema em breve.

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Nem sempre a banca paga e recebe

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 149 comentários



Mesmo achando que não há esquema de arbitragem, me parece inquestionável que o Galo, até aqui, foi injustiçado.



Nem sempre a banca paga e recebe


Caso fosse indagado sobre o assunto, não apostaria em complô pró-Corinthians no Brasileirão. Tampouco numa espécie de benevolência, de tendência, ainda que inconsciente, favorável à equipe paulista. Me parece inquestionável, porém, que a brusca alteração no topo da tabela advinda na reta final do primeiro turno esteve ancorada, em grande parte, decisivamente, em erros de arbitragem, em injustiças que beneficiaram o Timão e prejudicaram o Atlético.


Um dos discursos mais comuns na mídia sobre essas polêmicas envolvendo os assopradores de apito, aqui em Minas, segue aquele caminho confortável, populista de achar que, sempre, o “eixo” é privilegiado. Conforme coloquei na coluna anterior, apesar de considerar até ingenuidade cravar como impossível qualquer interferência da desonestidade nas decisões tomadas por juízes de futebol, não creio que a mencionada fala bairrista, um tanto simplória, seja a ideal para analisar os excessos de erros dos árbitros.


Outra ideia também disseminada na imprensa passa pela tese de que “a banca paga e recebe”; de que no campeonato de pontos corridos todas as equipes são beneficiadas e prejudicadas pelos equívocos dos assopradores. Os adeptos desse papo – também bastante confortável, transmitido usualmente com aquele ar de que se é muito “ponderado”, “justo”, “responsável”, “imparcial” – normalmente querem convencer o público de que, no fim das contas, as reclamações são improcedentes; de que, no frigir dos ovos, entre dias em que se é ajudado ou atrapalhado pelos antigos homens de preto, a justiça, nesse aspecto, é contemplada na competição.


Aí eu pergunto: quem disse que é assim? Quem garante que, com tantas rodadas, em médio/longo prazo, os erros são “matemáticos”, “democráticos”? Este pensamento, proferido com ar de “sabedoria”, não poderia ser mais falacioso; a falta de lógica nele existente é tão gritante que não devemos ficar surpresos com o fato de esta proposição proliferar-se somente porque a fraqueza da crônica esportiva em geral, a esta altura, já deveria ser reconhecida. Não existe qualquer garantia de que a distribuição dos equívocos será homogênea. Portanto, mesmo para quem não acredita em esquema, a justiça no que se refere à arbitragem está longe de estar assegurada. Por ruindade, por acaso, por coincidência, pela sequência de eventos, pelas circunstâncias, um time pode terminar, sim, completamente injustiçado no certame dentro do aspecto aqui destrinchado. Na soma de erros, de eventualidades; no mundo, na vida, no produto de decisões humanas cujos resultados, em termos de precisão, são tão banhados de aleatoriedade, não há qualquer certeza de “organização”, de natural contemplação igualitária de todos, da formação de um quadro passível de ser, a priori, tratado como se fosse uma ciência exata.


Assim, se é leviano cravar que há alguma coisa premeditada para favorecer o Corinthians, por meio da mera análise dos jogos, creio ser inquestionável que, no todo das rodadas, o Galo foi prejudicado pela arbitragem. Nas duas últimas jornadas os resultados dos jogos do alvinegro de Minas foram claramente comprometidos pelos juízes – para mim, por ruindade, não desonestidade; e em duas das últimas três, o Corinthians foi indubitavelmente beneficiado por decisões indevidas dos assopradores.


Ademais, como constatação: não estou colocando na conta o pênalti apontado no enfrentamento Timão versus Sport. De acordo com os comentaristas de arbitragem, em função de recente recomendação, deve-se marcar lances daquele tipo. E tendo exatamente isso em mente, soa surreal pensarmos que, em duas situações razoavelmente análogas, contudo escandalosamente mais claras, não se apontou a marca da cal – para o São Paulo, no clássico contra o Corinthians, e para o Galo, no embate diante do Grêmio; em ambas, recordemos, o Atlético foi vítima, direta ou indiretamente.

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Arbitragem, honestidade e bairrismo

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 113 comentários


Se me perguntarem: “você acha que há esquema de arbitragem”? Eu diria: “não”. Mas…



Arbitragem, honestidade e bairrismo


Manifestações e sentimentos bairristas, regionalistas, em diversas acepções, refletem baixeza intelectual. Dentro do futebol, especificamente, pela pequeneza dos argumentos aos quais costumam se associar, quase sempre, exalam o ridículo. Entrar num tipo de discurso comum na mídia de que “os mineiros são sempre prejudicados”, de que o “complô para o eixo Rio-São Paulo” é forte demais, não me parece inteligente. Dá preguiça. Complexo de vira-lata. Se apresentar como coitadinho. É batido. Populismo. E, infelizmente, pega bem diante de um público pouco qualificado – e grande.


Aliás, soa um paradoxo muito nítido, até cômico, de tão escancarado e pela bobeira que se apreende dessas falas, as incessantes reclamações do povo e da imprensa de Minas quanto ao “bairrismo do eixo” no futebol. Afinal, nessa seara, os mineiros esbanjam o defeito que enxergam nos outros para dar e vender; de maneira exageradamente clara, latente; denotando um provincianismo nada pequeno. Lembro da celeuma em torno da narração de Luiz Penido no jogo Galo e Flamengo do ano passado… Como se em BH os exemplos de locutores e comunicadores em geral fazendo algo na mesma linha, análogo, ou até pior – por envolver “ideias” – não fossem infinitos… Parte normal do cotidiano.


Voltando ao paralelo do bairrismo com a arbitragem, ressalto: não considero correto, ao falar dos problemas nas atuações dos “homens do apito”, enveredar por essa trilha de que existe complô – ou, em última análise, uma espécie de benevolência forte e sistemática – para beneficiar equipes de determinado estado. Da mesma maneira, é claro que também são levianos certos tipos de gritos que cravam ou insinuam, sem uma ínfima centelha de prova, a existência de um esquema qualquer na arbitragem nacional.


Mas vejam bem. Cravar e insinuar são uma coisa. Não duvidar, dizer que não é impossível, não colocar a mão no fogo são bichos totalmente distintos…


Falar de arbitragem normalmente é muito chato. Algo positivo, porém, que tenho detectado nas incessantes discussões recentes a respeito do tema, é que vários ótimos jornalistas resolveram “sair do armário” e têm batido na tecla de que, se é leviano afirmar algo sem elementos, mostra-se inocente, pueril quem fica chocado, acha um absurdo qualquer menção da mera possibilidade de desonestidade por trás da atuação de juízes de futebol.


A má-fé, algo orquestrado manipulando o trabalho de árbitros, diga-se, não necessariamente acontece para beneficiar equipes, estados. Lembremos que, no que se refere a escândalos recentes mundo afora, casas de aposta estiveram envolvidas em quase todos.


Caso você me pergunte: “você acredita em esquema de arbitragem no atual campeonato brasileiro”? Eu diria: “não”. Colocar como impossível a influência de qualquer tipo de desonestidade nesse campo, contudo, é um contrassenso, é não ter percepção, inclusive, sobre o gênero humano. A falta de ética e a capacidade de ser corrompida da nossa espécie não são exclusividade de nenhum povo. Ambas se espalham pelo mundo. No futebol, em geral, elas reinam. Em situações ligadas aos donos do apito, historicamente, falcatruas comprovadas publicamente são numerosas e também alastradas ao redor do globo.


Se isso vale para o mundo inteiro, para o gênero humano, o que dizer de uma entidade que tem um presidente preso, um mandachuva em exercício que não viaja por se borrar de medo de seguir o mesmo caminho, e teve um “coronel” da “índole” de Ricardo Teixeira como o comandante de tudo por tanto tempo? Por que um futebol regido por gente deste naipe estaria acima do bem e do mal?

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