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Paulo Bento e repertório tático

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 72 comentários


É cedo para superlativos, idolatrias e opiniões definitivas. Mas os presságios até aqui…


Paulo Bento e repertório tático


Logo nas primeiras partidas comandando o Cruzeiro, Paulo Bento deixou boa impressão. Mostrou clara capacidade de organizar o time, fazer o conjunto posicionar-se corretamente, atuar de maneira consciente; suas peças sabiam o que realizar em campo. Ademais, a despeito dos empates diante de Figueirense e América, e da derrota para o Santa Cruz – resultados bem enganosos –, os celestes apresentaram, nessas oportunidades, ótima compactação, controle do jogo, do meio campo, e poder criativo que não existia na era Deivid – se o ataque não tivesse desperdiçado tantas chances nesses duelos, com certeza os placares seriam totalmente diversos.


Neste começo, o estilo que o português privilegiava era o de propor o jogo. Ter mais posse. Controlar. Cadenciar. Envolver com passes curtos, povoando o meio-campo. E, para quem analisa o esporte além dos resultados, ele escancarava talento para executar essa filosofia – contemplando, sobretudo, a parte dela que faltava à Deivid: eficiência no terço final e aptidão para fazer ligação entre meio e ataque. Ao longo do tempo, em circunstâncias diferentes – inclusive levando-se em conta alguns desfalques, como o de Robinho –, o técnico mudou totalmente sua ideia de jogo, sua proposta. Contra o Atlético, por exemplo, escolheu atuar em transição, num estilo no qual sua equipe se postava inteligentemente com duas linhas se defendendo, e partia com velocidade, com sincronia para aproveitar os contragolpes, os erros do oponente, os espaços deixados por uma defesa ainda não recomposta. Nesta oportunidade, propor, controlar, não era a prioridade; e com essa estratégia, executada com maestria, o Cruzeiro foi melhor do que o rival; mereceu vencer.


Diante do Palmeiras, na melhor partida do clube cinco estrelas no Brasileirão, uma espécie de “terceiro mundo”. Paulo Bento não colocou o time exatamente esperando o adversário; longe disso. Não quis priorizar claramente a transição. Tampouco instruiu seus comandados para jogar com a posse, o controle – num sentido mais típico, “purista”. No último sábado, o Cruzeiro teve mais iniciativa, tomou as rédeas. Só que, ao invés de optar pela cadência, escolheu a intensidade, a verticalidade. “Engoliu” o líder do certame. Pecou somente por ter perdido muitos gols – e na falha individual de Bruno Rodrigo que concedeu tento ao alviverde. Pela disparidade que teve em termos de volume, ocasiões claras de marcar, domínio, imposição, poderia ter goleado.


O que quis apontar até aqui: Paulo Bento já mostrou, em pouco tempo, repertório. Não é samba de uma nota só – ou fado de um único acorde… Sabe variar, sabe entender a peculiaridade de cada confronto. Tem conteúdo, bagagem intelectual para saber o que se adéqua, como se atua em cada uma das filosofias possíveis no futebol; mais do que isso, sabe aplicar, na prática, cada uma dessas teorias. E se o “Portuga bom de prancheta” parece capaz de variar em termos teóricos, de proposta de jogo, também dá bons sinais no que tange ao dom para eleger corretamente o melhor sistema. Já escolheu o 4-4-2 com losango no meio, o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1. Mais importante: soube casar certeiramente os esquemas com as características dos jogadores que tinha como titulares em cada dia e com a filosofia, a proposta preferida para cada partida em particular – algo que, conforme escrevi aqui em outras oportunidades, faltou à Deivid, que queria jogar com controle, propondo o jogo, numa espécie de tiki-taka muitas vezes por meio de sistemas e jogadores que combinavam mais com uma filosofia de velocidade, intensidade (tendo a transição como prioridade ou não).


Como se não bastassem esses atributos estratégicos, Bento parece ser bom de vestiário, na parte motivacional, no lado humano do jogo. Afinal, saltou aos olhos a raça impressionante, o foco, a entrega descomunais que o Cruzeiro mostrou contra Ponte e Palmeiras. Quem queria emplacar a tese de que havia crise entre professor e elenco… Faltou combinar com a realidade…

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Marcelo Oliveira: simples ou simplório?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 762 comentários


A linha entre o “simples que funciona”, e o simplório que peca pela falta de repertório, profundidade, intelecto, muitas vezes é tênue…


Marcelo Oliveira: simples ou simplório?


Quando Marcelo Oliveira foi contratado pelo Atlético, considerei um acerto da diretoria. Por diversos motivos. E sem cravar que daria certo, despido de grande entusiasmo, sem descartar algumas fortes relativizações – ligadas, sobretudo, a certa carência de repertório, de sofisticação do técnico em termos de estratégia e métodos de treinamento.


Naquele momento, o combalido mercado de treinadores no Brasil não oferecia, como de costume, várias grandes opções – apesar de quase dizimado, desértico, o cenário de professores tupiniquins reúne às vezes, circunstancialmente, por uma espécie de acaso, algumas das poucas boas opções existentes num momento de “desemprego simultâneo”. Mano Menezes, por exemplo, que hoje é alternativa interessantíssima para os nossos patamares, naquele instante, não se encontrava disponível.


Marcelo costuma fazer o simples. Em determinado sentido, se não é o rei da tática, muitas vezes não atrapalha. Usualmente escala bem e, em geral, privilegiando o ataque, o talento. Em um clube que acabara de se despedir de Aguirre, que com seus invencionismos chegara a atrapalhar um elenco muito bom tecnicamente – por exemplo, preterindo Cazares acima de qualquer bom senso –, esse atributo soava como um frescor.


No fim das contas, para mim, a sensação era: mesmo tendo suas limitações dentro das searas mencionadas, Marcelo – que tem muitas virtudes, é bom que se diga –, num mercado moribundo, tinha chances consideráveis de chegar e, fazendo um “arroz com feijão”, acertar, “encaixar”; simplesmente escalar bem, “não atrapalhar”, escolher um esquema condizente com o grupo – o 4-2-3-1, formato favorito do técnico em questão, combina com os jogadores alvinegros, o que também surgia como bom presságio –, e deixar o bom time do Atlético “fluir melhor” do que nos tempos de Aguirre.


Ênfase numa palavra: encaixar. Tenho o seguinte sentimento com relação aos trabalhos de Marcelo: por não ser pródigo em sofisticação no que se refere ao labor tático minucioso – tanto no que tange à estratégia de jogo direta, quanto no que se vincula à construção de um conjunto cheio de nuances e com alta sincronia programada no dia a dia –, mas também por fazer o simples frequentemente com eficiência, ser bom na escolha dos jogadores e não atrapalhar na opção por sistemas totalmente inadequados, muitas vezes há boas chances – sobretudo em elencos recheados – de a coisa com ele “encaixar”, engrenar, fluir naturalmente. Caso algum entrave surja – desfalques excessivos, circunstâncias peculiares, ou simplesmente a inexistência desse encaixe imaginado –, e a partir daí, torne-se obrigatório um conserto mais profundo, um trabalho mais minuciosos para arrumar a casa, dar liga, estabelecer o mínimo de compactação, organização e senso coletivo a um time que não obteve essas qualidades somente com escalação e sistema adequados – somados a boas instruções mais básicas e gerais –, o caldo pode entornar.


Ainda é cedo para uma avaliação realmente precisa do trabalho de Marcelo no Atlético. Seu começo atribulado foi veementemente atrapalhado por desfalques. Sim, neste período, mesmo com o conjunto quebrado, ele poderia ter dado superior sentido de organização. Ao mesmo tempo, em geral, me parece estranho desistir, ser taxativo quando se há a soma de duas coisas: pouco tempo de casa e oportunidade quase inexistente de contar com a equipe de verdade. A vitória sobre a Ponte não representa muito. Mas a partir de agora, parece, Marcelo terá um time mais encorpado, mais próximo do ideal; contará com mais e melhores opções para estabelecer os onze que entram em campo. Para mim, vale oferece a ele um período mínimo com sua equipe “de verdade”. Para, aí sim, realizar-se um julgamento mais apropriado.


Simples, mas eficiente, ou simplório? A linha muitas vezes é tênue. Marcelo parece ter um pouco dos dois – conforme mostrei nesta coluna. Volto ao assunto em breve.

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Avaliações injustas sobre o Cruzeiro na mídia

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 449 comentários


Fora todos os argumentos colocados, com Bento, os resultados contra Figueirense, América e Santa Cruz foram bem enganosos.


Avaliações injustas sobre o Cruzeiro na mídia


Tenho vivido situação peculiar como jornalista esportivo. Nos programas dos quais participo, via de regra, desde o início do ano venho me deparando com opiniões que, para mim, são excessivamente críticas com relação ao Cruzeiro – sempre deixei isso claro, no ar, para os interlocutores de cada momento; e aqui, não me posiciono como dono de qualquer verdade inquestionável e absoluta; apenas papeio a respeito de uma circunstância curiosa. Na realidade, o pessimismo assinalado, o tom pesado descrito não se limita apenas aos debates que integro na mídia, às emissoras em que trabalho – não sou única exceção no sentido traçado, é bom que se diga; em veículos distintos, alguns poucos companheiros seguem linha parecida no ponto em análise. Discordâncias são naturais. O que caracterizei acima como peculiar se dá pelo volume, pelo grau, pela larga disparidade; algo acima do normal, fora da curva. Será que estou louco, que perdi alguma coisa? – poderia elucubrar, em alguns instantes. Honestamente, penso que não – e digo isso, novamente, sem a marca da pretensão, sempre respeitando o contraditório.


Deixemos de lado, por ora, a posição de centroavante. Do meio para frente, um elenco que possui Henrique, Romero, Cabral, Robinho, Arrascaeta, Élber e Alisson – sete boas peças para cinco serem escolhidas e duas ficarem como opções prioritárias –, está ruim? Repeti esta frase – ou ligeiras variações dela – na Band e na Itatiaia algumas vezes nos últimos tempos. Outro exemplo de que o cenário não é tão fúnebre como muitos querem pintar: no ano passado, Mano fez campanha extraordinária com uma formação que tinha, basicamente, na reta final de sua passagem: Henrique e Cabral por dentro como volantes; Willians como meia pela direita (muitas vezes fechava como volante, num trabalho híbrido); Alisson na ponta canhota; Bigode na frente; Arrascaeta por trás dele. Se esse esquadrão fez sucesso, será coerente exagerar nos questionamentos a respeito do atual, claramente melhor tecnicamente? Ou alguém discorda que Robinho e Romero são amplamente superiores, mais completos do que Willians – lembrando que este último, visto quase sempre como volante “brucutu”, teve de ser adaptado a esse trabalho pelos flancos, que exige mais criatividade, por certas limitações que vigoravam em 2015? Sem falar no retorno de Élber: talentoso, o melhor jogador ofensivo da equipe nesta temporada, em termos de regularidade.


Dizer que contratações como a de Gino, Pisano e Miño não vingaram é algo correto. Afirmar que o plantel precisa de um centroavante mais consistente também. Refletir que, talvez, pela oscilação de Arrascaeta, e outras questões envolvendo os bons Alisson e Élber, seja interessante mais uma peça com poder de decidir lá na frente, seja num estilo de drible, velocidade, ou de cadência, armação, se mostra no mínimo aceitável. Todas essas “relativizações” descritas foram feitas por mim em algum momento. Mas nenhuma delas, nem por um segundo, significa que endosso as falas exasperadas, revoltadas, na imprensa, contra o atual grupo do Cruzeiro. Não é para isso. O elenco não é ruim – tampouco espetacular. O time titular muito menos. Paulo Bento tem dado ótimos presságios. Continuando nessa toada, pode, sim, fazer boa campanha. Com o português, os resultados contra Figueirense, América e Santa Cruz foram bem enganosos. Mas para quem já tem predisposição para criticar, nadar nas águas confortáveis do resultado é um prato cheio…


Em breve, escrevo novo texto apreciando os motivos por trás dessa espécie de má vontade recente/atual com os celestes na mídia – não, não tem nada a ver com paixão clubística. E antes que digam: essa reflexão não acontece em função da vitória no clássico. Afinal, os argumentos básicos dessa coluna têm sido expostos por mim, publicamente, ao longo de todo ano.

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Discurso x prática

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 373 comentários


O discurso é bonito; mas na prática… Ainda penamos para evoluir e privilegiamos o medo, os velhos conceitos.


Discurso x prática


- São raros, no Brasil, os meio-campistas na acepção que Tostão gosta de utilizar (algo que se tornou verdadeiramente comum na Europa somente com a tendência em transformar armadores em “volantes”, o que acabou criando uma espécie de híbrido bem benéfico ao futebol). Em terras tupiniquins, permanece aquela divisão bastante engessada entre volantes e meias. Isso se atrela tanto ao excesso do 4-2-3-1 – e à escassez de um 4-3-3 na linha que vemos hoje com recorrência na Europa –, quanto à carência de times que controlam o jogo e sabem jogar com a posse. Afinal, a figura desse meio-campista mencionado – passador, técnico, clássico, inteligente, ocupador de espaços, controlador, dono daquele ar absoluto nas ações, na estirpe de Kroos, Xavi, Iniesta, Modric, Busquets, Xabi Alonso, Rakitic, Pogba (…) – é extremamente útil para esse tipo de jogo de mais controle – e também para as versões europeias típicas atuais do 4-3-3.


- Aqui ainda vigora a tendência oposta: a de adiantar volantes habilidosos, e não a de recuar meias.


- Fala-se (com razão) que é mais fácil fazer um jogador técnico, habilidoso, aprender a marcar, do que um “brucutu”, um “cumpridor”, um burocrata a criar, fazer o diferente. Porém, apesar do sucesso da frase, na prática, em muitos aspectos, enxergamos os treinadores brasileiros tomando decisões que denotam, em termos essenciais, exatamente o contrário, uma visão oposta de futebol. Dois exemplos: as situações dos volantes habilidosos que passam a ser meias (e os casos escassos de meias que são ensinados a marcar para virarem volantes e o time ter, no setor mais defensivo, o acréscimo de uma peça mais habilidosa, qualificada); a maneira como, em nome da recomposição dos homens de lado, muitas vezes os técnicos deixam as escalações menos talentosas ao invés de simplesmente ensinarem, insistirem para os pontas mais habilidosos aprenderem, se conscientizarem da importância de recompor – nesse campo podemos ver também muitas inversões de valores, quando uma peça essencialmente ofensiva é julgada/escolhida/preterida muito mais por causa de algo assessório, complementar para sua função (marcar, recompor), do que por aquilo que deveria estar na essência dela (criar, driblar, atacar).


- Outro ponto onde podemos vislumbrar incompatibilidade entre discurso e prática no Brasil: fala-se sempre que, também aqui, a preparação física se esmerou bastante, e que, em função disso, o fôlego, a resistência, e a explosão dos atletas interferem cada vez mais nas partidas. Vá lá: tem-se sim, aí, alta dose de verdade. Mas continuamos vendo poucos times no Brasileirão com estratégia tática atrelada a uma obstinação física acachapante. Algo visto, por exemplo, no seu ápice, no Borussia de Klopp e no Atlético de Simeone, em temporadas recentes – essa intensidade, essa entrega, porém, em graus menores aos demonstrados nos dois cases assinalados (e ainda assim, bem superiores aos vistos no Brasil), são bem comuns mesmo em times pequenos e médios do Velho Continente.

- Neste sentido, indico a entrevista dada por Douglas Costa ao Estadão nos últimos dias (fácil encontrar na Internet): o jogador do Bayern aborda, entre outras coisas, a diferença de foco, intensidade, correria, tempo para pensar que existe no futebol europeu e no brasileiro.

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Conheça melhor o líder

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 385 comentários


Conforme mencionei em post recente, participei de um projeto de estudos técnicos e táticos do futebol brasileiro – sobre o qual falarei em breve. Neste, colaborei na produção de um relatório sobre o Brasileirão 2015. O Grêmio, líder do Nacional 2016, foi dos times que menos mudaram da última temporada para a atual. Vendo os jogos do time gaúcho nestas quatro rodadas iniciais da Série A, fiquei impressionado como a continuidade, a manutenção vêm prevalecendo no tricolor; como ando enxergando, não sem a inevitável sensação de déjà vu, quase tudo que escrevi no relatório há poucos meses atrás. Por isso, pelo fato de base, treinador, e filosofia terem prosseguido, penso que vale trazer um trecho do citado relatório no qual falo do Grêmio 2015 – que, essencialmente com as mesma características da temporada passada, é um dos principais candidatos ao título este ano.


Grêmio


- No jogo citado no relatório da CBF, o Grêmio jogou no 4-4-2. Mas o sistema base da equipe na competição foi o 4-2-3-1 – e não o sugerido no relatório.


- Giuliano, com características de armador, era o meia aberto pela direita, em papel similar ao executado por Jádson no Corinthians – sem tanto esmero nas aparições “matreiras” pelo meio (provavelmente não por culpa do atleta, e sim por simplesmente não ser uma estratégia programada), apesar de também ser inteligente taticamente como jogador. Roger, assim como Tite, a despeito de usar sistema diferente, combinou normalmente um homem de beirada com traços de atacante – Luan ou Pedro Rocha na esquerda, às vezes Fernandinho –, com outro mais armador, mais clássico, de cadência (Giuliano, pela direita).


- Equipe que mais variou entre escalação com “9” tradicional (Bobô) e “Falso 9” (Luan). Quando Bobô jogava, Pedro Rocha saia do time e Luan era recuado para a linha de meias.


- Nesse sentido, chamou atenção a completude do jogo do jovem Luan: inteligente, com bom posicionamento e ótima finalização para ser o homem mais adiantado; rápido, habilidoso e criativo para fazer o lado do campo ou até a armação pelo centro (não tão comum, já que Douglas foi titular nesse trabalho de arquiteto cerebral, homem de cadência, no campeonato como um todo).


- Time com boa capacidade de controle a despeito de não ter exatamente as peças ideais para isso. Mais um sinal da ótima qualidade do trabalho de Roger.


- Como um dos times que mais soube trabalhar a bola, trocar passes e triangular no campeonato, o Grêmio produziu a jogada coletiva mais bonita do certame, exemplo perfeito dessas características que citei: um dos gols marcados contra o Atlético-MG no Mineirão foi uma aula de capacidade de envolver o adversário. Claro que o time não manteve padrão tão alto assim com tanta assiduidade ao longo da competição. Mas num cenário fraco nesse aspecto, reafirmo, foi um dos que mais soube triangular, compactar, trabalhar a bola. No gol citado, vale lembrar, tivemos também exemplo da linha alta mal executada pelo Atlético. Duas características centrais de dois dos melhores times da competição num lance só. Outro detalhe do gol: teve “quê” de contragolpe, e um pouco de ataque propondo o jogo, não exatamente em transição alucinante; mistura das duas coisas, pela peculiaridade do lance. E soube trocar passes, triangular, num cenário que teve justamente a mescla dessas duas coisas.

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