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Avaliando R10 no Galo

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 1 comentário


Dentro e fora de campo, a passagem de R10 pelo Galo foi um sucesso. Exitosa. Mas alguns exageros que vêm sendo cometidos em certas “avaliações” são assustadores. E ao invés de serem positivos para o clube, desvalorizam e são injustos com outros protagonistas da sua história. Ronaldinho pode ter sido o maior jogador a ter passado pelo Atlético. Mas NO clube, apesar de ter sido um dos grandes, um gigante, um “divisor de águas”, não foi o maior…

Avaliando R10 no Galo

Os maiores problemas do jornalismo são o populismo e a baixa qualidade intelectual. Na mídia esportiva, nem se fala. Em terras com domínio polarizado de dois clubes no futebol, então… Esses defeitos são MUITO, mas muito mais presentes, mesmo, do que supostas tendências para uma agremiação (como o torcedor pouco reflexivo e xiita costuma acreditar; ele teima costumeiramente a colocar a “parcialidade fundada no coração” como o grande pecado da imprensa).

Vejam: é sempre mais fácil “seguir a maré”, ir de acordo com a temperatura. Dar uma sondada em quais são as opiniões correntes, populares entre as torcidas, e nelas apostar. Alguns retweets e likes depois, pronto: missão cumprida. Normalmente, essa turma da mediocridade se contenta com pouco.

Hoje, no momento da saída de R10, o que “pega bem”, é mais cômodo? Elogiar o dentuço quase sem limites, não relativizar uma passagem, em certo sentido, repleta de ressalvas; escrever textos “poéticos”, de lirismo aceitável apenas para um público tão massificado quanto pouco exigente e totalmente alheio à literatura, a produtos da alta cultura (o leitor médio de textos esportivos que não figuram entre os melhores intelectualmente, óbvio, entra nesse rol).

A trajetória de Ronaldinho no Galo foi um sucesso. Positiva. A contratação do craque deu certo. Ele, em geral, correspondeu dentro de campo, surpreendeu muita gente, que já o considerava um tanto acabado. Resumindo a passagem do meia por Minas, afirmaria que o Gaúcho mostrou-se peça fundamental para um exitoso projeto de marketing (na realidade, ele era o projeto), para a divulgação da marca Atlético no exterior, e que esse processo foi pontuado, intercalado com um sucesso coletivo estrondoso, residente, representado pela conquista da Libertadores. Além do mais, ele jogou bem em um número considerável de vezes.

Aí chegam as “relativizações” – na verdade, nem deveriam ser exatamente tratadas assim, já que, independentemente delas, o saldo da caminhada foi positivo; mas esses fatos acabam soando de tal maneira por frearem uma multidão que quer apenas exaltar sem limites o jogador. Na Libertadores, R10 não foi assíduo, constante, decisivo com razoável frequência, como muitos querem acreditar. Jogou para valer diante de Arsenal e São Paulo – quando o conjunto, diga-se, funcionou primorosamente, e vários outros da equipe alvinegra brilharam. No primeiro jogo da final, foi substituído. No segundo, pouco apresentou. Nas semifinais, e nas quartas, também esteve longe de qualquer coisa extraordinária. A análise fria da conquista continental mostra que Victor, disparado, foi o “Deus”, o herói. E que Ronaldinho, peça importante, sim, ficou atrás – ou no mínimo em condições parecidas, sujeitas a opiniões diversas -, em termos de regularidade, participação, de Tardelli, Leo Silva e Bernard. Kalil e Cuca, também, para este troféu, foram mais relevantes.

Ainda em 2013, no segundo semestre do armador, inconstância e atuações medianas deram o tom. Em 2014, esteve praticamente ausente. Na realidade, tecnicamente, a melhor fase não foi na Libertadores, e sim, em 2012, na ótima campanha no Nacional.

Pessoalmente, comportamentalmente, os fatos negativos e a falta de compromisso com o clube – em alguns episódios, para ficar claro e não generalizar – estão aí, divulgados por alguns – o post de Cosme Rímoli é dos mais elucidativos nessa seara. Mas certos torcedores preferem fechar os olhos.

Com tudo isso, antes de cornetar, lembre que eu mesmo, ainda classifico a caminhada de R10 em Minas como mais do que positiva. Virou sim, ídolo. Merece, claro, elogios. Conquistou títulos, teve grandes instantes e divulgou a marca Galo no exterior como nenhum outro faria. Entretanto, até para elogiar, para ele colher os frutos que merece, não é preciso usar todo e qualquer superlativo, não se faz indispensável ultrapassar o bom senso e negar determinados fatos.

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