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Fanatismo, rivalidade e redes sociais

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 95 comentários


Não há nada intelectualmente mais baixo, chulo, pequeno, do que o mundo dos fanáticos por um time no twitter.


Fanatismo, rivalidade e redes sociais


Não tenho Twitter, Facebook, Whatsapp, Instagram… Não por qualquer visão, a priori, radical contra essas ferramentas. Não sou daqueles que vocifera, em tom generalista – muitas vezes num discurso que inevitavelmente cai no clichê –, condenando os usuários de redes sociais pelo simples fato de as possuírem. Sabe aquela história do “desliga o celular e vai ler um livro!”, proferida usualmente por pseudo-intelectuais que inflam seus respectivos índices de leitura em 1000% naqueles jantarzinhos “charmosos” regados a “bons vinhos”? Pois é…


Para ter contato com o público, receber retorno sobre o meu trabalho, ouvir críticas construtivas, medir a temperatura, a aceitação de certos produtos dos veículos dos quais faço parte, vira e mexe, utilizo as redes sociais destas empresas. Recentemente, entrei numa de – com o perdão do lugar-comum – “me perder” navegando nessas ferramentas, observando páginas e perfis de torcedores de futebol com motivações e curiosidades antropológicas, filosóficas. No passado, antes de ingressar no jornalismo esportivo, em trabalhos de conclusão de cursos e artigos acadêmicos, realizei pesquisas nessas áreas – mas não focadas no universo do esporte bretão.


A conclusão das observações a respeito do material colhido nas últimas semanas? Não há nada intelectualmente mais baixo, chulo, pequeno, do que o mundo dos fanáticos por um time no twitter. Nestes “perfis”, nas manifestações que deles saem, encontramos a prova de que a ignorância não tem mesmo limite, de que a cegueira é algo sem fronteiras, e ao mesmo tempo, ficamos com a sensação de que chegamos ao subsolo, ao andar mais baixo, ao máximo – ou ao mínimo… Lá, parecemos tão longe do chão que voltar seria impossível; seria atingir o desconhecido, o invisível.


Muitos jornalistas esportivos, de alguma maneira, têm resvalado nesse tema em seus programas. Criticando a intolerância, as ofensas. Estão corretos. Porém, na maneira como isso tem sido tratado na grande mídia, alguns problemas: 1) muitas vezes as reclamações soam recalque com relação a algum episódio de cunho pessoal; 2) frequentemente falta profundidade, substância, o que dá – nem sempre – um aspecto juvenil à opinião, que parece errante, hesitante; 3) justamente o medo das redes sociais e da opinião pública faz o profissional se render ao bom e velho “morde e assopra”: “não podemos generalizar, há muita coisa boa, trata-se de uma minoria”… É óbvio que sim! Como em qualquer lugar de massa, onde a amostragem é grande e o homem médio se faz presente em larga escala, é complicado ser determinista, taxativo, e coisas bacanas existem. Sobre o fato de serem minoria: na ponta do lápis, matematicamente, podem até ser; mas não no sentido “fácil”, de absolvição que o discurso dá a entender; não é tão pouca gente assim, muito pelo contrário – e aqui a avaliação fica complexa tendo em vista que o nível de ignorância e assiduidade nas redes pode variar bastante. O primordial é que a fala assinalada no item três é confortável demais, simplória em excesso, não sai do lugar e elucida apenas o óbvio ululante. Se for para ficar nesse patamar, melhor nem falar nada. Esse tipo de condenação já ficou chata, tornou-se a muleta para o coxinha e o chapa-branca se sentirem “corajosos”, “críticos”, “independentes”.


Completo a análise na semana que vem…

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