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Grêmio e Galo: virtudes de um, defeitos do outro

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 381 comentários


Até que ponto uma atuação especialmente ruim, um oponente claramente bagunçado pode servir como parâmetro?


Grêmio e Galo: virtudes de um, defeitos do outro


Quando um time supera o outro com bastante facilidade, imponência, muitas vezes é difícil delinear até que ponto a discrepância aconteceu por méritos do vencedor, ou por um desarranjo completo do derrotado. No primeiro jogo da final da Copa do Brasil, o Grêmio teve atuação excelente. Entre as principais virtudes, um toque de bola digno de nota; uma capacidade ímpar de envolver o inimigo, colocá-lo na roda. Não foi a primeira vez que, com Renato Portaluppi, o tricolor desfilou em campo com essas qualidades. Diante do Cruzeiro, na fase anterior da mesma competição – também no confronto do Mineirão –, neste sentido, o cenário foi bem similar. Por outro lado, em termos proporcionais, acompanhando todo o calendário da equipe, desempenhos desta magnitude, com esse nível de excelência, têm sido bem raros. Na realidade, nem um patamar de performance minimamente próximo ao aqui descrito chega a ser exatamente regular. Mistérios do futebol… Afinal, qual é o verdadeiro Grêmio? O que assombrou o gigante da Pampulha duas vezes consecutivas, ou aquele esquadrão “normal”, “nem lá, nem cá”, do dia a dia? Especial, ou mero mortal, mais um na multidão?


No triunfo dos gaúchos sobre o Galo, semana passada, especificamente, a trupe de Marcelo Oliveira me pareceu tão coletiva e taticamente desorganizada, com defeitos tão graves e escancarados nesta seara que, confesso, fico um tanto ressabiado para elogiar Douglas e seus Blue Caps sem medo de ser feliz. Com aquela desenvoltura, o desprendimento e a leveza que só a mais inabalável convicção – ainda que sem prova – é capaz de produzir. E vejam bem: isso está longe de ser o mesmo que tirar o merecimento, os atributos dos vitoriosos.


Acompanhei este cotejo in loco, comentando-o, e depois novamente, pela TV. Os espaços entre as linhas do escrete mineiro eram tão cristalinos e exagerados; a falta de sincronia, entrosamento, programação dos movimentos defensivos – não somente – tão chamativa; o posicionamento das peças, seus deslocamentos, tão equivocados e indignos de um grande clube profissional; os mandantes marcavam com um número tão pequeno de atletas – os quatro da frente ajudavam pouquíssimo na recomposição, no combate atrás da linha da bola; os meias abertos auxiliavam os laterais de maneira tão rara e primária que, somando isso tudo, no latifúndio que o Grêmio tinha para trabalhar a posse e encontrar sempre alguém livre, no arremedo que exalava carência de treino, consciência individual e coletiva do que dever-se-ia fazer que era o alvinegro, não se tinha um quadro adequado para se realizar a mais precisa apreciação a respeito dos predicados dos pampas. Será que numa situação infimamente normal, com um rival razoavelmente organizado defensivamente – notem: não falo de brilhantismo –, os porto-alegrenses são capazes, regularmente, de apresentar tanta fluência, dinamismo e precisão no toque de bola? O ponto é: não devemos insinuar que não e, de novo, não se deve retirar os elogios devidos para uma ótima atuação, o atropelamento advindo no Mineirão. Circunstâncias excepcionais, contudo, em todos os segmentos, raramente se mostram parâmetros recomendáveis. Logo, a cautela, o conhecimento de futebol e, mais do que isso, a observação do Grêmio numa amostragem global, indicam inapeláveis: melhor esperar uma pugna contra um competidor pelo menos medíocre estrategicamente para algo decretar – claro que me refiro ao Atlético naquele dia; se Marcelo Oliveira, de fato, não conseguiu montar um time na acepção da palavra, óbvio que a realidade durante sua passagem não foi sempre tão devastadora quanto aquilo que vimos na última quarta.


No mais, ainda no plano tático, algumas observações para a peleja desta final: como “falso 9”, com frequência, Luan recua, deixa o ataque vazio, cria superioridade numérica no centro do campo, e se prepara para municiar o ponta que entra na diagonal como elemento surpresa; Ramiro, volante de origem e meia pela direita no desenho inicial da equipe, flutua entre a beirada do campo, e um posicionamento mais próximo de Maicon e Walace – eis mais um recurso que, além de dar solidez defensiva e flexibilidade estratégica aos comandados de Potaluppi, pode propiciar superioridade numérica no centro do campo.

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Galo e Grêmio: talento ou tática?

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 381 comentários


Com os desfalques, Marcelo está sem a chamada “solução ideal”; se ganha numa ponta, perde na outra…


Galo e Grêmio: talento ou tática?


Se pegarmos todas as opções que Marcelo Oliveira tem para formar seu trio de meias, à parte Robinho – absoluto –, talvez Otero e Luan sejam hoje, ao lado de Maicosuel, as saídas, digamos, “mais completas” – por unirem bom desempenho ofensivo, considerável qualidade com a bola no pé, na criação, à capacidade de recompor, fechar os flancos.


Clayton esteve longe de convencer na temporada até aqui no que se refere à produção técnica. Viveu período recente no qual conseguiu sequência minimamente consistente, rendimento favorável. Mas este recorte positivo, longe de se relacionar com qualquer centelha de brilhantismo, marcou-se por uma conotação em que o atleta fora avaliado, ao menos, como um bom burocrata – sobretudo por auxiliar com disciplina o lateral direito na marcação; não um chef digno de guia Michelin, virtuoso, inventivo, capaz de mexer com nossos mais apurados e recônditos sentidos: um bom cozinheiro que simplesmente não faz feio no dia a dia. Cazares, por outro lado, notabilizou-se, nos últimos meses, quase pelo exato oposto. Aqui estamos tratando de alguém com potencial para flertar com a genialidade; com quê de irascível, traz a esperança de inovar com a mais nova e instigante criação de uma sofisticada cozinha fusion (abram alas para as espumas, a apresentação artística, colorida; ovas, trufas e um maître gastando no francês); mas nem sempre entrega – às vezes chegando a queimar o arroz – o prato na hora, eventualmente não cumpre o combinado com o cliente e, pior, nunca se mostra apto a fritar um simples ovo – para o trabalho nobre, quando quer, frequentemente ele sorri; já para o labor dos homens comuns… Marcar, definitivamente, não é com ele.


Com Rafael Carioca suspenso para o primeiro jogo, diminuem as chances de o Atlético recorrer a um trio de volantes – com Urso atuando na sua posição de ofício, ou aberto pela direita, mais solto. Logo, levando-se em conta as pífias participações de Carlos Eduardo, e o fato de que Hyuri claramente segue abaixo na hierarquia do plantel, neste instante, a cabeça de Marcelo gira em torno de um único dilema: Clayton ou Cazares? Em certo sentido, é possível ler: alguma segurança, certa confiabilidade burguesa, mediana, do populacho, ou a chance – aliada ao risco tanto defensivo, quanto de ele simplesmente estar em um “dia não” – de um produto mais nobre? Em nome da ambição, do talento, sem negar que boa dose de dúvida e preocupação ainda residiria – se já sou ansioso, insone… –, eu, com a pressão e a conta bancária de Marcelo Oliveira, escolheria o equatoriano. Mas com uma condição: desde que, com ótima, cuidadosa, detalhada conversa, e minuciosa orientação tática, tivesse razoável porção de certeza de que, seja com ele, com Robinho, ou um revezamento entre os dois, teria quase sempre mais um meia para ajudar Maicosuel a recompor. Jogar uma final, contra um time do tamanho do Grêmio, que carrega na organização estratégica justamente uma de suas principais virtudes, como o Galo se apresentou no primeiro tempo diante do Flamengo – última vez em que Robinho e Cazares começaram um cotejo juntos… Seria uma irresponsabilidade. Não dá para decidir com um centroavante e dois dos três armadores com a mão na cintura no momento defensivo, quando o adversário já atravessou o meio-campo – faço essa ressalva porque tanto Fred, quanto Pratto, quando atuam como “9”, não podem ser cobrados para voltar com a bola rolando com alguma frequência, e, no que tange a um auxílio lá na frente, ambos têm, usualmente, se esforçado bastante.


Curioso: desde que Renato Gaúcho chegou, também numa espécie de dualidade “talento versus segurança tática”, o tricolor dos pampas vem optando pela alternativa vista como mais pragmática. Ramiro, volante de origem, como meia pela direita, no 4-2-3-1; Everton e Bolaños, amplamente superiores em termos técnicos, sentadinhos no banco, ao lado de Carol Portaluppi. Dando desconto para o lado “aparício” do belo exemplar – que de fato, dá uma preguiça danada –, neste caso, a reserva não me parece mau negócio…

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Um dos melhores escritores brasileiros lança livro hoje em BH; imperdível!

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 220 comentários


Um dos melhores escritores brasileiros lança livro hoje em BH; imperdível!


Nesta sexta-feira a Academia Mineira de Letras promove evento imperdível. Luiz Antonio de Assis Brasil – para mim, um dos três melhores escritores brasileiros ainda em atividade – lança seu novo romance, “O Inverno e Depois”. Trata-se de uma obra-prima. No nível de “Videiras de Cristal” e “Cães da Província”, dois dos trabalhos anteriores de Assis que seguramente merecem a alcunha. Prometo resenhar o livro com o cuidado que ele merece em breve. Por ora, coloco abaixo as informações sobre o lançamento de hoje, dois links para críticas da obra, e um dos incontáveis trechos do romance que me marcaram.


Para quem não sabe: além de genial escritor, Assis é o mais famoso e conceituado professor de literatura do país. Em uma iniciativa espetacular, a Academia Mineira de Letras o trouxe para ministrar uma de suas famosas oficinas aqui em BH, neste segundo semestre – e eu estou tendo a honra de participar da turma. Como admirador e aluno, claro, não perderei o lançamento de hoje. Espero vocês lá! Além de tudo, Assis é um doce, um cavalheiro, e entusiasta da nossa terra: com certeza receberá todo o público mineiro com o maior carinho do mundo.


SERVIÇO:


Lançamento do livro de Assis Brasil, “O inverno e depois”

Data: 18 de novembro, entrada franca. É só chegar!

Horário:20h.

Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 – Lourdes – BH/MG).


Críticas:

Folha de São Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/10/1827292-o-inverno-e-depois-oferece-alento-em-tempos-de-autoficcao.shtml

No blog do Juremir, do Correio do Povo:

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2016/10/9129/a-obra-prima-de-assis-brasil/


Trecho:


“Se Constanza era feliz ali, ele não se reconhecia como aquele homem sem esperanças, pronto a deixar Würzburg e que poucas horas antes perambulava pela promenade. Examinou a si mesmo, para ver se não procurava substituir sua infelicidade por uma pseudoexperiência amorosa que poderia encobrir uma aventura predatória e compensadora. Mas não: sabia que, dentro de si, brotara um sentimento capaz de encontrar sentido em delicados gestos como aquele, de observar, com respeito e devoção, uma jovem mulher que repousa”.

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Procura-se um estranho no ninho

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 147 comentários


Em meio a tanta mediocridade, às vezes erramos/exageramos na valoração de certos profissionais…


Procura-se um estranho no ninho


Muitas vezes superestimamos o papel e o conhecimento dos treinadores. Mais do que a repetição de um clichê, esta frase ganhou real e novo sentido para mim a partir do momento em que, convivendo com alguns deles, em conversas intimistas, soltas, fora do ar, me impressionei com a carência de informações e substância, de conteúdo e profundidade que revelavam. “Sério que ESTE é o sujeito idolatrado, tratado como estrategista, genial? Que vive só disso, ganha milhões para se debruçar unicamente sobre o tema? Que faturou inúmeros títulos?”. É uma espécie de choque; capaz de confundir, fazer refletir, dar um nó na nossa cabeça – e não só necessariamente de quem caía no equívoco de sobrevalorizar.


Por outro lado, ainda que relativizemos a importância destes profissionais, que chamemos de comum um tipo de nivelamento por baixo, me parece inegável que nos últimos oito, dez anos, surgiu uma elite irrequieta de técnicos, em nível mundial, que mudou determinados parâmetros do jogo, tirando-o da estagnação. Se revolução é um termo que, de fato, provavelmente, soa exagerado para o aconteceu, falemos em algo nessa linha, porém em grau menor; uma boa sacudida, uma bagunçada positiva, vai… Nesta esteira, em geral, dá para considerar também que o Brasil não se alinhou exatamente com os avanços desta elite. Um ranço “boleiro”, simplório, anti-intelectual barrou a chegada de conceitos, ideias – e de novo, faço questão da reserva: ninguém aqui está querendo decretar, sei lá, que o tiki-taka da seleção espanhola exalava complexidade digna da teoria das cordas; ou da ética, da metafísica, do panteísmo de Spinoza.


Quando se vive considerável carência em determinado meio, usualmente surge como natural, quase uma reação automática do cérebro, a tentativa de encontrarmos o estranho no ninho; algumas exceções. Alguém que se salve, “pelo amor de Deus”. Muito em função disso, numa defesa da mente para não ficarmos apenas na crítica, mal-humorados demais, e até num exercício de acharmos entes que, ao menos comparativamente, são “menos ruins” – o que muitas vezes se torna um passo para superlativos, elogios descabidos –, frequentemente detectamos excelência onde há meramente uma mediocridade melhorada. Nesse emaranhado todo que constrói as opiniões públicas, um detalhe: boa parte da mídia/sociedade tem especial dificuldade de relativizar resultados; de criticar quem ganhou. Costuma-se, no fundo, buscar argumentos para justificar o triunfo, ainda que eles não sejam reais/intelectualmente qualificados, e que se esteja, na prática, pecando por “forçar a barra”. Algo talvez um tanto análogo à brilhante lógica de Schopenhauer: “não queremos porque achamos motivos. Achamos motivos porque queremos”.


Por que trouxe tudo isso para o debate? Simples: em meio ao marasmo de qualificação dos nossos “professores”, perde-se a linha dia sim, outro também, na valoração de certos personagens da bola. Existem alguns casos claros de comandantes que, por fazerem apenas o básico, fornecerem mínima organização aos seus times – sem ideias, sem transgredir, sem fazer o conjunto fluir, solto, infimamente dinâmico, interessante e eficiente no momento ofensivo (não falo de futebol arte; trato simplesmente de convencer, jogar bem; de consistência, controle, uma centelha de confiança na vitória em boa medida independente de acasos) –, acabam ganhando ares de estrategistas inveterados, de grande pensadores/conhecedores do esporte bretão. Não, não estou falando de Tite. Em breve sigo na apreciação e contextualizo o tópico com exemplos.

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Questionando o intocável

públicado em by Cadu Doné em Esportes | 215 comentários


Não é pela extrema qualidade de um profissional que ele deve deixar de ser questionado; se Tite tiver mesmo esta ideia de forma pouco flexível, estará errando…


Questionando o intocável


Tem sido falado na imprensa com incrível recorrência, praticamente desde o início da era Tite, que um dos principais méritos deste treinador é escalar os atletas convocados, sempre, na mesma posição em que atuam nos clubes. Confesso que não vi uma declaração exata do técnico neste sentido, defendendo esta teoria. Mas aqui a ideia é não apenas debater esta preferência, em si; trata-se também de refletir como, a partir do momento em que considera como um fato este mote – sendo esta realmente uma verdade, ou não –, a mídia o engoliu sem as devidas relativizações, sem os necessários contrapontos. No fundo, esta espécie de passividade é apenas mais um capítulo da mania nacional de seguir o fluxo, buscar extremos, “exatidões”; idolatrar ou demonizar; rotular; reservar somente elogios para os que estão bem na fita, e restringir-se a implicâncias quando se fala de personagens cujas personas públicas não são exatamente tão queridas.


É claro que, em geral, e a priori, mostra-se interessante este tipo de coerência/pragmatismo na escolha do setor no qual cada peça jogará, e da função, do tipo de trabalho que será executado em campo por ela. Entre os vários motivos que justificam essa assertiva destaquemos, por ora, que as seleções possuem pouco tempo para treinar; nesta linha, fica frequentemente complicado dar ritmo, fazer o individual render plenamente longe do seu habitat natural. Ademais, parece ainda mais complexo contemplar, unir a resolução desta última questão assinalada à capacidade de dar à equipe o entrosamento, a sincronia necessária. Contudo, como o futebol está longe de ser ciência exata, e outras variáveis podem interferir especificamente no tópico neste texto discutido, não considero correto, inteligente que a predileção acima mencionada seja levada ao pé da letra, em termos um tanto taxativos, absolutistas. E a impressão que muitos jornalistas passam ao falar desta tese, desta idiossincrasia de Tite, é que a prioridade arrolada vem na cabeça do técnico com ares de convicção quase imutável, um tanto determinista. E o que fazem estes comunicadores ao fazerem tal interpretação? Com ela concordam…


Se pegarmos uma média dos últimos tempos, fora Neymar, os dois jogadores brasileiros mais famosos, talentosos, consistentes no futebol europeu – me refiro aqui a opções ofensivas –, têm sido Douglas Costa e Philippe Coutinho. Neymar, desde que chegou ao Barça, sempre atuou aberto pela esquerda. Douglas, na era Guardiola, só jogou como ponta, variando bastante o lado, mas com frequência ocupando o flanco canhoto. Com Ancelotti ainda é cedo para ter certezas a respeito do posicionamento deste jogador; afinal, com o italiano, nosso atleta pouco atuou em função das contusões. Não me soa nada improvável, entretanto, que o meia-atacante jogue, no Bayern, na maior parte das vezes, pelo lado esquerdo – até porque, Ancelotti tem apostado no 4-1-4-1/4-3-3 como esquema, e vem considerando Müller como um dos caras que jogam abertos no ataque (e o alemão, historicamente, costuma atuar ou pela direita ou pelo centro, nunca pela esquerda). Por fim: no Liverpool, Coutinho já foi escalado em diferentes posicionamentos; nesta temporada, porém, embora circule bastante, afunile, centralize, costumeiramente parte da ponta esquerda, tem neste cantinho do campo sua posição inicial.


Para os que, sem ruminar, regurgitar, engolem qualquer coisa que vem – ou supostamente vem – da cabeça do intocável Tite, fica a pergunta: como contemplar a ideia de escalar os jogadores sempre conforme estes atuam em seus times se todos os seus principais atletas jogam na exata mesma função nos seus respectivos clubes? Essa ideia é tão brilhante e inquestionável assim a ponto de se sobrepor ao talento individual e ao bom senso? Não seria o caso de tentar, por exemplo, Neymar pela esquerda, Coutinho pelo meio, e Douglas pela direita – ou seja, não escalando os dois últimos da mesma forma em que eles atuam em suas agremiações?

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